YAMANDÚ COSTA (Passo Fundo/RS, 24 de janeiro de 1980)

             Criado praticamente dentro de um ônibus, já que os pais Jesus Algacir Costa (multi-instrumentista, compositor, poeta) e a mãe Clary Marcon (cantora), líderes do grupo Os Fronteiriços, percorriam o sul do país com sua arte por onde houvesse festivais, feiras agropecuárias, circos e bailes para animar a festa. Aos sete anos de idade, começou aprender violão com o pai, e aprimorou mais tarde sua técnica com o músico e folclorista argentino Lúcio Yanel, radicado no Brasil.

Em 1992, com o nome de batismo Diamandu (o precursor das águas), como representante da tradição gaúcha, interpretou a canção Esperança (autoria do pai) no festival Grito Pampeano da Música Nativista de Canarana – MT, hoje oficializada como hino da cidade. Já morando na capital, aos 16 anos de idade, foi convidado para abrir um show do seu ídolo Baden Powell, na Fundação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).

Em 1999, gravou seu primeiro disco solo Diamandu (Produção independente). Depois de se apresentar em São Paulo, quando foi reconhecido como músico revelação do violão brasileiro, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 2001, foram editados os CDs Dois Tempos - Lúcio Yanel e Yamandú Costa (selo ACIT) e Yamandú (selo Eldorado), incluindo os clássicos Brejeiro (Ernesto Nazareth), Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira), além de composições autorais, como Mariana, Cristal, Habaner. Em 2004, pela gravadora Biscoito Fino, foi lançado o álbum Paulo Moura & Yamandú Costa: el negro del Blanco, disco excepcional que marcou definitivamente sua carreira, com apresentações notáveis da dupla na faixa-título (assinada por ele), Duerme Negrito (Atahualpa Yupanqui), Sons de Carrilhões (João Pernambuco), Pot-pourri: Samba Triste, Lapinha, Samba da Benção, Pra Que Chorar (Baden Powell), Gracias A La Vida (Violeta Parra).

Depois de gravar no Japão o CD Tokyo Session (Kaola Records, 2006), apresentou em duo Yamandú + Dominguinhos (Biscoito Fino, 2007), com emocionantes interpretações para Molambo (Jaime Florence, Meira), Velho Realejo (Custódio Mesquita, Sady Cabral), Wave (Tom Jobim), Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo), Escadaria (Pedro Raimundo).  No ano seguinte, foi gravado ao vivo no Auditório Ibirapuera/SP (selo Alvorada): Luz da Aurora: Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, um desfile de composições autorais, como: Samba do Véio, Luz da Aurora, além de Chamamé e Meiga (essas apenas de Yamandú), indicado ao Grammy Latino, como “melhor álbum instrumental”.

Em 2010, a etiqueta Biscoito Fino editou Lado B - Yamandú + Dominguinhos, com releituras de mestres, já falecidos: Da Cor do Pecado (Bororó), Doce de Coco (Jacob do Bandolim), Naquele Tempo (Pixinguinha), Felicidade (Lupicínio Rodrigues), Solamente Uma Vez (Agustin Lara), além de peças de suas autorias. No ano seguinte, foi finalmente lançado o CD Mafuá (selo Biscoito Fino), gravado e produzido pelo violonista Peter Finger na Alemanha em 2007, onde já havia tocado (dois anos antes) em um festival de música no sul do país. Além da faixa que dá nome ao disco e resgata o grande compositor Armando Neves (dos anos 30), vale destacar, entre outras: Quem É Você? (Zé Gomes), e as autorais Caminho de Luz e Ressaca.

Ainda em 2011, já considerado exímio violonista de 7 cordas e compositor talentoso, Yamandú apresentou o CD Lida (Biscoito Fino), com participações especialíssimas de Nicolas Krassik (violino) e Guto Wirtti (baixo acústico), quando recorda suas raízes gauchescas em 12 preciosas peças: a autoral Baionga, Dayanna (de Alessandro Penezzi), Bem Baguala, Petite Tristesse (essas em parcerias com Guto Wirtti).

Em 2013, o incansável Yamandú lançou o álbum Continente (Biscoito Fino), acompanhado de dois músicos de sua terra natal: o já citado Guto Wirtti (baixolão) e Arthur Bonilla (violão de 7 cordas). Com repertório inédito, levam a linguagem e a música dos pampas de forma bastante pessoal e homenageiam o escritor conterrâneo Érico Veríssimo com a belíssima faixa (autoria de Guto Wirtti), que empresta o nome ao disco, e título do primeiro volume de sua famosa trilogia O Tempo E O Vento. Cabe também mencionar as autorais, entre outras: Sarará, Cabaret (essa com Guto Wirtti) e a segunda indicação ao Grammy Latino, como “melhor álbum instrumental”.

Seu mais recente trabalho Tocata à Amizade (Biscoito Fino, 2014), celebra a reunião com os amigos Alessandro Kramer (acordeom), Rogério Caetano (violão 7 cordas) e Luis Barcelos (bandolim 10 cordas). Na faixa inicial, Yamandú apresenta sua Suíte Impressões Brasileiras (encomendada para um projeto do Museu do Louvre, em 2010), com quatro movimentos de diversificadas regiões: choro-tango, valsa, frevo-canção, baionga (mistura de baião com milonga), e inclui, entre outras pérolas, a pouco conhecida Pedra do Leme (Raphael Rabello, Toquinho), além da célebre suíte Retratos (Radamés Gnattali).

Yamandú Costa vem realizando sua trajetória artística, com apresentações performáticas e cativantes, misturando vários estilos, do choro ao clássico, passando por tangos, milongas e chamamés, de temperamento perfeccionista, criando composições brilhantes, que o credenciaram ao reconhecimento nacional e pelos inúmeros países visitados, de diversificadas culturas.


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