PAULÃO SETE CORDAS (Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1958)

             Criado no bairro do Jacarezinho, zona norte da cidade, em ambiente familiar musical, que despertou  no garoto Paulo Roberto Pereira de Araújo o fascínio pelo samba e o choro. Passava suas férias escolares nas proximidades de Itaguaí, em sítio no eixo da rodovia Rio – Santos, onde morava o avô, clarinetista e regente de banda que lhe ensinava teoria musical. Na juventude, autodidata em tocar violão, recebeu alguns ensinamentos do professor José David Alves, e conheceu músicos que se apresentavam aos sábados na Rádio Metropolitana. Em meados dos anos 70, Monarco (que já fizera sambas para a escola Unidos do Jacarezinho), ao vê-lo tocar o apresentou ao Nelson Cavaquinho, passando a acompanhá-lo em shows durante algum tempo.

Em 1982, participou como violonista do espetáculo O Que Se Leva Desta Vida, ao lado de Cristina Buarque, Elton Medeiros, e dos músicos Luciana Rabello (cavaquinho), Cristóvão Bastos (piano), César Faria (violão). Nessa época, passou a colaborar na organização dos shows espetaculares de samba no lendário restaurante Barbas (do Nelson Rodrigues Fº, em Botafogo), por onde desfilaram Mestre Marçal, Monarco, Zé Ketti, Wilson Moreira, Noca da Portela.

Em 1986, para o mercado japonês atuou com seu violão 7 cordas e na coprodução do álbum Velha Guarda da Portela: doce recordação  (Nikita Music). Ainda nos anos 80, começou a gravar (inicialmente como violonista) nos álbuns de Zeca Pagodinho e a partir de 1991 também como arranjador em algumas faixas, e acrescentou depois as funções de assistente de produção e regência.

Outra participação memorável ocorreu em abril de 2002, com o brilhante  espetáculo O Samba É Minha Nobreza (de Hermínio Bello de Carvalho), levado durante três meses sempre ao meio-dia no Cinema Odeon (Cinelândia), com sua direção musical e presença como multi-instrumentista (violão, cavaquinho e panela), editado depois em álbum duplo (Biscoito Fino), com grandes atrações como os veteranos Roberto Silva, Teresa Cristina e os jovens Pedro Miranda e Mariana Bernardes.

Já em 2006, Paulão além de participar como músico, na maioria das faixas do histórico CD duplo Tantinho: memória em verde e rosa (Independente), assinou a direção musical e os arranjos. Em 2009, surpreendeu ao cantar sambas de Cartola Não faz Amor (com Noel Rosa), Divina Dama, Fita Os Meus Olhos, na já citada tilha sonora (Luis Felipe de Lima, Arto Lindsay) do filme Noel: Poeta da Vila. Como produtor de discos, deve-se citar, entre outros, os álbuns da cantora Teresa Cristina, solos e com o grupo Semente (2002/2010), dos cantores Pedro Miranda (Coisa Com Coisa, 2006), Moyseis Marques (Fases do Coração, 2009).

Onipresente na música popular brasileira, o carismático (apesar da postura sisuda quando se apresenta) Paulão Sete Cordas, com muito estudo, dedicação integral e amor pelo seu trabalho, ainda está devendo a gravação de um disco solo, para nos deliciarmos com seu incontestável talento.


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