MARCO PEREIRA (São Paulo, 25 de setembro de 1950)

            Aos 14 anos de idade, Marco Antônio Pereira ganhando um violão de presente, começou a tocar “de ouvido” por algum tempo, até que entrou para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, orientado pelo mestre uruguaio Isaias Sávio. Durante cinco anos morou em Paris, onde fez curso regular na Universidade de Sorbonne, ministrado pelo maestro e compositor Pierre Boulez, e recebeu o título de “mestre em violão clássico” pelo Conservatório Internacional de Música.

Na Espanha, foi premiado nos concursos Andrés Segovia (Palma de Maiorca) e Francisco Tárrega (Valência).  De volta ao Brasil, Marco Pereira gravou dois LPs pelo selo Som da Gente: Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985) e Circulo das Cordas (1988), ambos basicamente autorais e com novas propostas de linguagem e sonoridade, acrescentando elementos de música clássica e de jazz, sem perder a identidade nacional.

A partir dos anos 90, mudou-se para o Rio de Janeiro, e participou do CD Bons Encontros: Marco Pereira & Cristóvão Bastos (selo Caju Music, 1992), premio Sharp de melhor disco instrumental, que reuniu os talentos de violonista e pianista, respectivamente, para novas leituras harmonizadas de clássicos de dois monstros sagrados em estilos diferentes da música popular brasileira: Ary Barroso (No Rancho Fundo, É Luxo Só) e Noel Rosa (Feitio de Oração, Conversa de Botequim).

Em 1999, Pereira gravou o elogiado CD Valsas Brasileiras (produção independente), com arranjos em leituras solo para: Beatriz (Edu Lobo, Chico Buarque), Eu Te Amo (Tom Jobim, Chico Buarque), Desvairada (Garoto), Emotiva nº 1 (Hélio Delmiro). No ano seguinte, Marco Pereira (violão) e Hamilton de Holanda (bandolim) lançaram, com direção musical da dupla, o extraordinário Luz Nas Cordas (selo Kuarup), muita luminosidade e inspiração nas faixas autorais Luz Nas Cordas, Bate-Coxa, Seu Tonico Na Ladeira (Marco Pereira), Brasileiro, Enchendo O Latão (Hamilton de Holanda) e releituras de Um A Zero (Pixinguinha, Benedito Lacerda), Xote das Meninas, Qui Nem Jiló (músicas de Luiz Gonzaga). No próximo álbum Marco Pereira: o samba da minha terra (Independente, 2004), manifestou sua admiração pelo samba e outros ritmos: Expresso 2222 (Gilberto Gil), La Fiesta (Chick Corea), Lamentos do Morro (Garoto), e de sua autoria Tempo de Futebol, Amigo Léo, Chazz! No ano seguinte, Marco Pereira e o jovem Gabriel Grossi (gaita) se encontram em novo lançamento de título sugestivo Afinidade (selo Biscoito Fino) e celebram, bastante afinados, o prazer de tocar pérolas como Mulher Rendeira (Zé do Norte), As Rosas Não Falam (Cartola), Foi A Noite (Tom Jobim, Newton Mendonça), Sambadalú e Ponto de Luz (Marco Pereira). Em 2010, homenageou o choro com suas diversas facetas, no precioso CD Marco Pereira: Cristal (Independente), em importantes peças como Cristal (Cesar Camargo Mariano), Ternura (K-Ximbinho), de sua autoria Suaves Enganos, Fefucha, A Lira do Poeta.

Em 2012, excursionou durante 40 dias por cidades americanas e apresentou pela primeira vez, no SESC Vila Mariana em São Paulo, a sua obra Lendas Amazônicas – Fantasia concertante para dois violões e orquestra. Em seu último disco editado, duo com o acordeonista Toninho Ferragutti, Comum de Dois (Borandá, Maximus, 2013), em perfeita harmonia expressam com criatividade a riqueza da nossa música popular, em nove faixas como: Flamenta, Nova (essas de Toninho Ferragutti), releitura de Mulher Rendeira (Zé do Norte).

Marco Pereira, premiado violonista, compositor, arranjador, professor universitário, pesquisador, autor de obras didáticas, conhecido internacionalmente por constantes atuações em países da Europa e nos Estados Unidos, apesar da formação clássica, com entendimento preciso do que seja música de qualidade, adquiriu a versatilidade necessária para se exprimir em seu trabalho, sem perder o vínculo com a linguagem tradicional brasileira.


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