LUIS FILIPE DE LIMA (Rio de Janeiro, 24 de maio de 1967)

            Criado no bairro do Leblon, onde mora até hoje, filho único da bailarina e atriz Maria Luiza Splendore e Luís de Lima, homem de teatro de inúmeras facetas, nascido em Lisboa, de prestigio internacional e carioca honorário. Com tanto DNA artístico, começou cedo suas atividades quando concorreu, em 1980, ao prêmio de ator revelação na peça Assuntos de Família, de Domingos de Oliveira, atuando ao lado de Fernanda Montenegro e Fernando Torres.

Nessa década, participou de várias novelas da TV Globo, como Partido Alto (de Gloria Perez, Aguinaldo Silva - 1984), interpretando o filho de um banqueiro do jogo do bicho (Raul Cortez), que descobre no bandolim sua verdadeira vocação. Exerceu a função de assistente de direção teatral ao lado do pai, em várias oportunidades, adquirindo conhecimento e experiência nessa área. Nos anos 90, com prática suficiente de alguns instrumentos musicais, o samba corria acelerado em suas veias, e passou a desfilar no bloco ipanemense Simpatia é Quase Amor (onde atuou, mais tarde, na sua organização), além de exibições em casas noturnas da Lapa e adjacências.

Em 1998, teve sua composição Joãozinho Na Gafieira gravada pelo conjunto Rabo de Lagartixa em CD homônimo, produção independente dos músicos Daniela Spielmann (sax) e Marcello Gonçalves (violão). Já em 2004, dirigiu o show Lamartiníadas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em homenagem ao centenário de Lamartine Babo, com Pedro Miranda, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, além de participar com violonista do CD homônimo (Selo Deckdisc, 2005).

Em 2006, foi gravado pela Biscoito Fino o álbum duplo Sassaricando: e o Rio inventou a Marchinha, espetáculo assinado por Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, com produção musical, arranjos e regência de Luis Filipe, com elenco notável de intérpretes, em imortais marchinhas apresentadas por blocos temáticos, uma verdadeira crônica da cidade com seus personagens e costumes: Papai Adão (Klécius Caldas, Armando Cavalcanti) com Soraya Ravenle, A Mulher do Leiteiro (Haroldo Lobo, Milton de Oliveira) com Juliana Diniz, Vai Com Jeito (João de Barro) com Sabrina Korgut, Tomara Que Chova (Paquito, Romeu Gentil) com Pedro Paulo Malta, Tem Nego Bebo Aí (Mirabeau, Airton Amorim) com Alfredo Del-Penho, Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly, Roberto Faissal) com Eduardo Dusek, Sassaricando (Luiz Antônio, Oldemar Magalhães, Candeias Jota Jr.) com Coro. No ano seguinte, como produtor, mostrou no CCBB o peculiar show Samba de Breque e Outras Bossas, reunindo quatro duplas de cantores, que nunca tinham se encontrado, em vertentes para o sincopado, a gafieira, e o choro: Jards Macalé/Pedro Luis, Leny Andrade/Nei Lopes, Soraya Ravenle/Marcos Sacramento e Verônica Ferriani/Moska. Ainda em 2007, sempre acompanhado do “amigo violão”, participou do documentário O Famoso Aluízio Machado, de Snir Wein (DVD Vira-Lata Filmes), ao lado de Capoeira (pandeiro e cuíca), Marcelinho (cavaquinho), Cabelinho (surdo), componentes da Escola Império Serrano, por onde desfila no carnaval.

Em 2009, foi lançado o CD Noel: Poeta da Vila (Selo Lua Music), belíssima trilha sonora original assinada por Luis Filipe de Lima e Arto Lindsay, do premiado filme dirigido por Ricardo Van Steen, com temas incidentais de Luis Filipe, interpretadas por uma seleção de músicos notáveis: Dirceu Leite (Cabaré Apolo), Itamar Assiere (Faz Um Ano), Roberto Marques (Já Era), Pedro Amorim (Sedutora), Maria Teresa Madeira (Vista Chinesa), Nicolas Krassik (Cave Bleu). No mesmo ano, o incansável violonista produziu outro excelente álbum Pimenteira (Independente), para o amigo e talentoso cantor Pedro Miranda, acrescentando vários arranjos e seu “7 cordas”, em prazeroso passeio musical, salientado pela chula que empresta o nome ao disco (autoria de Roque Ferreira), Caso Encerrado (Eduardo Neves, Alfredo Del-Penho), Imagem (Wilson das Neves, Trambique), Compadre Bento (Nei Lopes), Cartas de Metrô (Moyseis Marques), Coluna Social (Edu Krieger), e outros. Em 2010, surgiu outra pérola contemporânea com o impagável CD Breque Moderno (selo Rob Digital), produção, direção musical e arranjos de Luis Filipe, novamente acompanhado do seu indefectível violão 7 cordas, entre outros músicos, e do talento vocal de Soraya Ravenle e Marcos Sacramento, que se apresentam impecáveis em Tem Que Rebolar (José Batista, Magno de Oliveira), Não Quero Saber Mais Dela (Sinhô), Boneca de Piche (Ary Barroso, Luiz Iglésias), Quem É? (Custódio Mesquita, Joracy Camargo), além de Samba do Nepal (Henrique Cazes “Jota Canalha”) e Águia de Haia (Nei Lopes, Luis Filipe de Lima), atuações primorosas da dupla Soraya e Sacramento, com participação do Luis Filipe, na última faixa citada.

No ano seguinte, repetindo o sucesso de cinco anos atrás, os idealizadores Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, apresentaram o show É Com Esse Que Eu Vou: o samba de carnaval na rua e no salão (CD duplo da Biscoito Fino), com o produtor, arranjador e maestro Luis Filipe de Lima, sempre competente, e intérpretes que conhecem do “riscado”. Entre antológicas performances, citamos: Tenha Pena de Mim (Cyro de Sousa, Babaú) com Pedro Paulo Malta, Oh! Seu Oscar (Wilson Batista, Ataulfo Alves) com Makley Matos, Lata d’Água (Luiz Antônio, Candeias Jota Jr.) com Lilian Valeska, Eu Agora Sou Feliz (Jamelão, Mestre Gato) com Beatriz Faria, Nega Maluca (Evaldo Ruy, Fernando Lobo) com Marcos Sacramento, É Bom Parar (Noel Rosa, Rubens Soares) com Soraya Ravenle, Pra Seu Governo (Haroldo Lobo, Milton Oliveira) com Alfredo Del-Penho, É Com Esse Que Eu Vou (Pedro Caetano) com todos. Nesse mesmo ano, participou com a direção musical, do documentário Mulatas: um tufão nos quadris, de Walmor Pamplona, enfocando o interessante relato de 13 passistas, personagens emblemáticas do nosso carnaval.

Em 2014, os primeiros acordes do mágico “7 cordas” do Luis Filipe de Lima, ao lado de Kátia B (voz e guitarra), Guilherme Gê (teclados e voz) e Marcos Suzano (percussão) já prenunciavam o requintado álbum Samba Noir (Independente), quase intimista, extrapolando genialidade em faixas como Chove Lá Fora (Tito Madi), Aves Daninhas (Lupicínio Rodrigues), Risque (Ary Barroso) com Egberto Gismonti ao piano, Pra Que Mentir (Noel Rosa) com Carlos Malta (sopros), Volta (Lupicínio Rodrigues) com Jards Macalé.

São inúmeras e incontáveis apresentações do genial e eclético violeiro Luis Filipe, em discos ou em casas de espetáculo pelas principais cidades brasileiras ou ainda no exterior como, recentemente, em 2015, na capital Maputo de Moçambique, com a cantora Ana Costa, Thiago da Serrinha e Cláudio Brito, show promovido pela Embaixada do Brasil e o Ministério da Cultura.

Em 2016, repetiu a dose da parceria no precioso CD Pedro Miranda: Samba Original, com a produção, arranjos e seu violão, na maioria de notáveis faixas, como: Santo Amaro (Franklin da Flauta, Luiz Cláudio Ramos, Aldir Blanc), Amanhã Eu Volto (Roberto Martins, Antônio Almeida), Se Passar da Hora (Baiaco, Ventura).


© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha