DILERMANDO REIS
(Guaratinguetá/SP, 22 de setembro de 1916 – Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1977)

            Foi com o pai seresteiro Chico Reis, modesto funcionário da prefeitura, que o garoto Dilermando dos Santos Reis, aos dez anos de idade, passou a ter suas primeiras aulas de violão. Em 1931, conheceu o violonista e professor Levino Conceição, após seu recital na cidade. Avaliado pelo experiente músico, o jovem Dilermando, com o consentimento dos pais, o acompanhou em sua tournée, que contava com apoio do Instituto Benjamin Constant, pois se tratava de um cego. Após dois anos de muito aprendizado com o famoso mestre, chegaram ao Rio de Janeiro, onde se separaram. Para prover o seu sustento, passou a dar aulas em lojas de instrumentos musicais, ajudando na venda de violões.

A partir de 1936, começou a se apresentar em vários programas de rádio, notadamente de Renato Murce e do Ademar Casé, tornando-se o violonista de maior prestígio no meio musical da cidade.

Em 1940, Dilermando ingressou na Rádio Clube do Brasil e atuou no Cassino da Urca como regente e diretor da orquestra. No ano seguinte, gravou seu primeiro 78 rpm (selo Columbia), quando incluiu de sua autoria a valsa Noite de Lua e o choro Magoado, acompanhado pelo violonista Jaime Florence (Meira). Nesta década, cabe também destacar, em selo Continental e todas autorais: o choro Vê Se Te Agrada (1948), a valsa Súplica, os choros Tempo de Criança (arranjo de Radamés Gnattali), Doutor Sabe-Tudo (essas de 1949).

Em 1951, Dilermando lançou a valsa Promessa e o batuque Xodó da Baiana, entre outras (também pela gravadora Continental). Em 1953, foi contratado pela rede de televisão americana CBS, como “guitarrista solista”, tendo se apresentado com bastante sucesso, durante três meses. Já na fase dos LPs estreou com o álbum Dilermando Reis: sua majestade o violão (Continental, 1957), com repertório bastante diversificado: Malagueña (Ernesto Lecuona), Noturno nº 2 Opus 10 (Chopin), Se Ela Perguntar (parceria com Jair Amorim), Índia (José Assunción Flores, Manuel Ortiz Guerrero). Em 1963, gravou Gotas de Lágrimas (Continental) com destaque, entre outras: Brejeiro (Ernesto Nazareth), Nossa Ternura e Eterna Saudade (ambas de sua autoria), Cateretê Mineiro (do seu antigo professor e companheiro Levino Conceição).

Já em 1972, foi editado o primoroso Dilermando Toca Pixinguinha, homenagem ao amigo com peças notáveis: Carinhoso, Lamentos, e em parceria com Benedito Lacerda: Ingênuo, Vou Vivendo, Naquele Tempo, As Proezas do Sólon, entre outras. No ano seguinte, gravou o brilhante LP Homenagem a Ernesto Nazareth (Continental), com acompanhamento de Dino 7 Cordas, em marcantes apresentações: os choros Odeon, Tenebroso, Brejeiro, a polca Apanhei-te Cavaquinho, e o tango Escovado.

Em 1994, o saudoso Raphael Rabello relembrou o seu ídolo com o álbum Relendo Dilermando Reis (selo RGE), com inspiradas interpretações de Abismo de Rosas (Américo Jacomino), Uma Valsa e Dois Amores (Dilermando Reis), Interrogando e Sons de Carrilhões (João Pernambuco). No ano seguinte, foi lançado o CD Dilermando Reis: violão brasileiro (Atração Fonográfica), reedição das gravações originais remasterizadas, do seu último trabalho de 1975, incluindo os choros Miudinho, Cavaquinho Encabulado, as valsas Terno Olhar, Iracema, e muitas outras.

Exímio violonista, de repertório apurado, compositor sensível que transmite com maestria e emoção, em sua admirável obra, momentos alegres ou tristes, de amor e ternura, de melancolia e de paixão, Dilermando Reis ao falecer deixou muita saudade do seu “violão brasileiro”.


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