CLAUDIONOR CRUZ
(Paraibuna/MG, 1 de abril de 1910 – Rio de Janeiro, 21 de junho de 1995)

            Filho de um mestre de banda militar em Juiz de Fora, Claudionor José da Cruz começou a tocar bumbo, aos nove anos de idade, influenciado pelo pai. Por volta de 1924, querendo aprender cavaquinho se mandou para o Rio de Janeiro, indo morar em uma pensão na Rua dos Inválidos, começou a vender jornais, e a fazer suas primeiras composições.

No início dos anos 30, passou a atuar como baterista e cantor de um pequeno conjunto de baile, quando conheceu seu querido e mais constante parceiro Pedro Caetano. As primeiras gravações da dupla foram do cantor Augusto Calheiros, com o samba canção O Tocador de Violão (1935) e a valsa Caprichos do Destino, interpretada por Orlando Silva (1938), além de Francisco Alves com a marchinha carnavalesca de grande sucesso Eu Brinco (1944), todas em selo Odeon. Outro parceiro importante foi Ataulfo Alves com o clássico samba Sei Que É Covardia, gravado por Carlos Galhardo (Victor, 1939). Nos anos 40, com Abel Ferreira (clarineta), Arlindo Ferreira (primeiro violão), Bola Sete (segundo violão) e Jair do Pandeiro, formou o famoso Claudionor Cruz e seu conjunto, criando uma identidade sonora própria, incluindo o seu violão tenor de quatro cordas, em substituição ao tradicional cavaquinho. Nessa época, o grupo acompanhou Francisco Alves na gravação de sambas de Herivelto Martins, como Adeus (com Jararaca), A Guerra Acaba Amanhã (com Grande Otelo), Enfrenta O Trabalho (com Bob Silva), Que Rei Sou Eu? (com Waldemar Ressurreição), além de Vida de Pobre (Rubens Soares, Erathostenes Frazão) todas de 1944, e ainda Haja Carnaval Ou Não (coautoria de Pedro Caetano) e Izaura (Herivelto Martins, Roberto Roberti), datadas de 1945.

O conjunto sofreu alterações ao longo de mais de trinta anos de existência, tendo atuado nas Rádios Tupi, Globo e Nacional, além de acompanhar outros cantores como Orlando Silva, Dircinha Batista, Augusto Calheiros, Ângela Maria. Em 1956, foi lançado o primoroso LP Samba de Morro: Claudionor Cruz e Sua Gente, com várias preciosidades: Morena Boca de Ouro (Ary Barroso), Exaltação À Mangueira (Enéas Brites da Silva, Aloísio Augusto da Costa), e de sua autoria Quando O Pau Comeu (com José Otrini), Disse Me Disse (com Pedro Caetano). Pelo selo Rosicler/Chantecler gravou, em 1972, composições inéditas para o LP Claudionor Cruz – Hoje, com participações especiais do cantor Gilberto Milfont em Rio Antigo e Choro Triste (parcerias com Mário Amorim), do coral Opson em Virgínia Flor (com Mário Amorim) e Vem Chegando A Madrugada (com Arcy Barbosa, Anibal Silva). Em 1977, fez parte do prestigiado projeto Seis e Meia, no Teatro João Caetano, com a cantora Odete Amaral e o conjunto Galo Preto. Reconhecido como um grande chorão, foi lançado o ótimo CD Terno Carioca Interpreta Claudionor Cruz (SESC Rio Som, 2009), com os talentosos Pedro Aragão (bandolim, violão tenor), Luiz Flávio Alcofra (violão) e Lena Verani (clarinete) para esmerado repertório e arranjos requintados, destaques para a já citada Caprichos do Destino, Nova Ilusão (voz de Bia Paes Leme), Duas Vidas (todas coautorias de Pedro Caetano), Predileto (parceria com José de Freitas), Chico Flores, voz de Zélia Duncan (coautoria de Pedro Caetano), Dia do Preto Velho.

Salve Claudionor Cruz e seu violão melodioso, que imortalizaram sambas, choros, valsas, marchas e tudo mais que é produto genuinamente nacional.


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