Trilha Sonora 2

            Ao acrescentar nova trilha sonora, em duas partes distintas, procurei ressaltar, inicialmente, o prestígio internacional da nossa música, com destaques nos Estados Unidos, de forma instrumental, pela multitalentosa organista Ethel Smith (que fez sucesso no filme Escola de Sereias, de George Sidney), ao apresentar o clássico chorinho Tico-Tico no Fubá,de Zequinha de Abreu (1944); o “mestre dos arranjos” Ray Conniff (líder da banda, de estilo peculiar com vocal associado aos instrumentos de sopro), em admirável leitura (de 1960) para a imortal Aquarela do Brasil, de Ary Barroso;o saxofonista Stan Getz (que incorporou a bossa nova para suas interpretações jazzísticas), duo com Laurindo Almeida, na autoral Samba de Sarah (1966), pouco conhecida no Brasil. As belas vozes de Ella Fitzgerald (apontada por muitos como a maior cantora do século XX), perfeita com o emblemático Desafinado, de 1962(Newton Mendonça, Tom Jobim); a popular atriz Doris Day, em performance inusitada (1964) para Corcovado (Tom Jobim); o celebrado Tony Bennett (também talentoso pintor), com primorosa versão (letrada por Matt Dubey), da composição The Gentle Rain (Luiz Bonfá, Eumir Deodato), trilha sonora do filme homônimo, de Burt Balaban - 1966; Frank Sinatra, gravação antológica que consagrou a música A Garota de Ipanema (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), como hit mundial em 1967; a divina Sarah Vaughan “Sassy”, emociona com sua tonalidade grave e envolvente, na obra prima Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim, Vinicius de Moraes - 1978). O México é representado pelo brilhantismo da cantora Chavela Vargas “La Llorona”, de tradição ranchera, com surpreendente apresentação (1966) pouco conhecida para a comovente canção Maringá (Joubert de Carvalho) e Elvira Rios, de voz grave e profundamente dramática, em famosos boleros como Estou Pensando em Ti (Raul Sampaio, Benil Santos) com letra de Agustin Lara, de 1990. Portugal, de nova e brilhante geração de cantores e compositores, embarca por canções de gêneros e épocas distintas: o samba Só vendo que beleza “Marambaia” (Henricão, Rubens Campos) por Teresa Salgueiro (2007), a valsa Se tu soubesses (Cristóvão de Alencar, Georges Moran) na voz de Antonio Zambujo (2009) e o inspirado poema Cais (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) com Carminho (em duo com Nascimento e o Trio Madeira Brasil - 2012). Da França vem empolgar a execução da Orquestra de Paul Mauriat (1980), para a canção intimista Começar de Novo (Ivan Lins, Vitor Martins) em ritmo dançante, além do querido e saudoso Henri Salvador (compositor e guitarrista, nascido em Caiena), voz apaixonante e inconfundível em Eu sei que vou te amar (Tom Jobim, Vinicius de Moraes – 2008). A Itália, em gerações diferentes, mostra a estima pela canção brasileira de duas personalidades: o cantor e compositor Sergio Endrigo (em 1969, acompanhado ao violão pelo amigo Toquinho) com o belíssimo Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes, Paulo Soledade) e, em 2013, o consagrado tenor Andrea Bocelli, na eterna marchinha carnavalesca Tristeza (Haroldo Lobo, Niltinho). Ainda na Europa, o tenor espanhol Plácido Domingo, também confirma seu amor pelo Brasil e homenageia (1997) em dose dupla com as canções Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso) e Copacabana (Braguinha, Alberto Ribeiro). Do continente africano, a saudosa cabo-verdiana Cesária Évora (1941-2011), compositora e intérprete, deixou notável legado musical e dá seu comovente recado (ao lado de Marisa Monte - 1999), via Dorival Caymmi É doce morrer no mar. Karolina Vucidolac (nascida na Macedônia), é considerada, atualmente, uma das cantoras que melhor representa a música brasileira na Suécia (onde foi criada), nos brinda em seu CD Brasil: meu país musical (Imogena, Sweden 2004) com o clássico samba Diz que fui por aí (Zé Ketti, Hortêncio Rocha). Fecham com chave de ouro, as venezuelanas Jacqueline e Constanza Liz, mãe e filha, acompanhas pelo violão de Roberto Corrêa, em magistral concepção da tradicional canção Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense, João Pernambuco).
Na 2ª parte, uma singular miscelânea nacional de gêneros e estilos, por onde desfilam os saudosos cantores/as (Francisco Alves, Carmélia Alves, Inezita Barroso, Sílvio Caldas, Elis Regina, Elizeth Cardoso), a música instrumental com Carolina Cardoso de Menezes, Mario Zan, Tamba Trio (extinto com o falecimento de Luiz Eça em 1992), Conjunto Época de Ouro (em nova formação, a partir de 2018), o sambista Germano Mathias (aos 84 anos, ainda em atividade), as escolas de samba União da Ilha e Império Serrano (em memoráveis sambas de enredo), Nana Caymmi acompanhada ao piano por César Camargo Mariano, a banda de rock Ultraje a Rigor, dois exemplares da música sertaneja com Adauto Santos, Cláudio Lacerda e Tinoco, o talento da nova geração representada por Beto Aquino (em duo com Elza Soares), pelos três violonistas Arthur Bonilla, Guto Wirtti, Yamandú Costa, mais Nina Wirrti (com o bandolinista Luis Barcelos) e, finalmente, a homenagem ao grande cantor Cauby Peixoto, em gravação histórica (do seu último álbum Cauby canta Dick Farney, selo Biscoito Fino), para o samba-canção Nick Bar (Garoto, José Vasconcelos).  

 

Luiz Carlos de Paula

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