FABIANA COZZA (São Paulo, 16 de janeiro de 1976)

            Desde criança, Fabiana Cozza dos Santos acompanhava, na quadra da tradicional escola “Camisa Verde e Branco”, o pai Oswaldo dos Santos, consagrado intérprete dos seus sambas de enredo, e atual integrante da velha-guarda. Do patriarca, recebeu o legado do vozeirão e a admiração de grandes intérpretes como Elizeth Cardoso, Elza Soares, Clara Nunes, Leny Andrade e Maria Bethânia. Em 1995, ingressou na Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, instituição de referência internacional, onde iniciou estudos de canto popular e teoria musical. Em 1997, participou do grupo vocal “Novella”, liderado pela cantora Jane Duboc, sua grande incentivadora. Multitalentosa, Fabiana também foi se envolvendo com o teatro e a dança, aprimorando sua expressão cênica. Em 2000, formou-se em jornalismo pela PUC/SP. Logo depois, passou a se apresentar nas noites paulistanas, quando adquiriu a experiência ou o “toque final” para o canto nas tradicionais rodas de samba do badalado bar “Ó do Borogodó”.

O disco de estreia justifica plenamente o seu título: Fabiana Cozza: o samba é meu dom (Eldorado, 2003). Repertório escolhido por quem ama o que faz: A Morte de Chico Preto (Geraldo Filme), Lavandêra (Rui de Moraes e Silva), Meu Drama (J. Ilarindo, Silas de Oliveira), Acima de Tudo: Mulher (Catarina) samba-enredo de Ideval, gravado pelo já citado pai em 1979, e a obra-prima (de Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro) inspiradora do CD. No ano seguinte, participou do “Projeto Pixinguinha”, ao lado de Celso Viáfora, Francis Hime e Denise Pinaud, apresentado em várias cidades do Nordeste, desde Vitória da Conquista (BA) até Fortaleza (CE). O segundo trabalho Fabiana Cozza: Quando o céu clarear (Atração Fonográfica, 2008) inclui, entre outras pérolas: Doces Recordações (Yvonne Lara, Délcio Carvalho) participação especial da compositora, Parte (Rubens Nogueira, Paulo César Pinheiro), Pela Sombra (Nei Lopes, Nelson Sargento), Nação (João Bosco, Paulo Emílio, Aldir Blanc), além de contar com a presença dos músicos cubanos Julio Padrón (trompete) e Yaniel Matos (piano).

Em 2011, um álbum excepcional Fabiana Cozza (Independente), com direção e produção musical do mestre Paulão 7 Cordas, apresenta uma seleção de craques assinando obras como Sandália Amarela (Wilson Moreira, Nei Lopes), Lá Fora (Elton Medeiros, Délcio Carvalho), Festa do Zé (Sombrinha, Carlinhos Vergueiro), Escudo (Wanderley Monteiro, Carlinhos Vergueiro), o que lhe valeu, no ano seguinte, o “Prêmio da Música Brasileira” como melhor cantora de samba. Identificada com a arte da saudosa Clara Nunes, em sua brasilidade contagiante, Fabiana Cozza presta singula homenagem com o lançamento do CD/DVD Canto Sagrada (Independente,2013), apresentando pérolas como Senhora das Candeias (Romildo Bastos, Toninho Nascimento), Linha do Mar (Paulinho da Viola), Novo Amor (Chico Buarque), além de singelo documentário Uma Viagem a Caetanópolis de Clara Nunes, no qual acompanhada da irmã dona Mariquita, conhece a creche idealizada pela saudosa cantora, a casa onde nasceu, e seu importante Memorial. Em 2015, tendo a Bahia como principal fonte de inspiração, expõe novas sonoridades e ritmos com a produção de Fabiana Cozza: Partir, apresentando leituras criativas para Teus Olhos Em Mim e Não Pedi (ambas de Roberto Mendes, Nizaldo Costa), Roda de Capoeira (Vicente Barreto, Paulo César Pinheiro), Fim de Dança (Vidal Assis, Moyséis Marques). No encarte, assim se expressou Maria Bethânia: “Adoro as cantigas escolhidas por você nesse disco, a nudez dos arranjos onde sua voz passeia lisa e clara”. A cantora paulistana sempre se identificou com a música cubana, e neste surpreendente trabalho Fabiana Cozza: Ay Amor! (selo Biscoito Fino, 2017), entregou-se apaixonadamente na obra do lendário compositor, cantor e pianista Ignacio Villa “Bola de Nieve”. São exemplares: No Quiero Que Me Odies, Ay Amor! (autorais) e do repertório alheio Vete de Mi (Virgilio Expósito, Homero Expósito), Devuélveme Mis Besos (Maria Grever), sempre acompanhada ao piano pelo exímio cubano Pepe Cisneros, radicado no Brasil.

Fabiana Cozza, com incontáveis incursões em palcos brasileiros, no cenário internacional, já se apresentou em diversos países como: Alemanha, Bulgária, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, Israel, Japão, Portugal. Uma das mais importantes cantoras da música contemporânea brasileira, voz de belíssimo timbre grave, admirável e refinada interprete, de repertório escolhido de acordo com o seu emocional, assim se expressa na sua canção Novo Viver: “Samba, eu o digo com prazer/ me inspira e tira/ o mau que há em meu viver/ domina tudo em mim todo o meu ser/ me faz bem, me quer tão bem/ e traz também um novo viver”.

   

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