CARMEN COSTA (Trajano de Morais/RJ, 5 de janeiro/1920 – Rio de Janeiro, 25/4/2007)

            Os pais de Carmelita Madriaga (seu verdadeiro nome) eram meeiros em uma fazenda na localidade de Santa Maria de Madalena e, ainda criança, trabalhou como doméstica em casa de família de protestantes, aprendeu a cantar hinos religiosos, já revelando seu talento para a música. Como se não bastasse, em 1935, mudando-se para o Rio, continuou sua função de doméstica, agora na casa do cantor Francisco Alves. Dois anos depois, ao conhecer o compositor Henricão, recebeu o nome artístico de Carmen Costa, iniciando sua carreira profissional.

Em 1939, gravou o primeiro 78 rpm (selo Odeon), incluindo o samba Onde Está O Dinheiro, em duo com o já citado autor Henricão. Sucesso em dose dupla veio em 1942 com o tradicional Está Chegando A Hora (adaptação. Henricão e Rubens Campos) e o samba choro Só Vendo Que Beleza, autoria dos mesmos referidos no lado 1 (selo Victor), o que lhe valeu contrato com a Rádio Nacional, em sua “era de ouro”. Ao casar-se com um norte-americano, em 1945, viajou para os Estados Unidos, onde fez algum sucesso, merecendo o título de Embaixatriz do Samba, conforme ficou registrado, posteriormente no LP editado em 1963 (gravadora Copacabana), incluindo algumas versões de clássicos americanos, além dos sambas Madrugada Zero Hora (Dora Lopes, Genival Melo) e Melancolia (Denis Brean).

Nos anos 50, de volta ao Brasil, surgiram novos êxitos assinados, na maioria por Mirabeau (selo Copacabana, 78 rpm) como: as marchinhas Cachaça (com Lucio de Castro, Heber Lobato, Marinósio Filho) em duo com Colé, Tem Nego Bebo Aí (com Airton Amorim), os sambas Não Pode Mexer (com Ferreira Lima), Manchetes de Jornal e Sacode A Lapela (esses com Jorge Gonçalves), Operário (com Vieira Jr), A Morena Sou Eu (com Milton de Oliveira), Jarro da Saudade (com Daniel Barbosa, Geraldo Blota), Drama de Amor (com Don Madrid), Indecisão (de Paquito, Romeu Gentil), Como Eu Chorei (com Nelinho, Colatino), Lágrimas de Sangue (com Pedro de Almeida, Don Madrid), e os sambas canção Busto Calado (Rubens Silva, Maestro Cipó), Não É Só Vestir Saia (Ricardo Galeno), Reencontro (Cícero Nunes, Izaulino Silva), Se Você Me Quer Bem com Mirabeau (deste com Jorge Gonçalves). Ainda nessa década, participou de alguns filmes como Carnaval Em Marte (de Watson Macedo, 1955) e Depois Eu Conto (de José Carlos Burle, 1956). Em 1957, foi lançado pela Série Colagem nº 2 (Copacabana) seu LP de estreia Carmen, no qual a cantora brilha no samba canção Devo A Você (Mirabeau, Jorge Gonçalves) e no samba Vaidade (Roberto Faissal). Nos anos 60, realizou vários shows nos Estados Unidos, acompanhada do mestre sanfoneiro Sivuca.

Em 1971 lançou o álbum Ziriguidum No Sambão (RCA, BMG), com a imortal Marcha do Cordão do Bola Preta (Vicente Paiva, Nelson Barbosa), o samba amaxixado Tem Bobo Pra Tudo (J. C. da Silva, M. Brigadeiro), e ainda o “revival” dos sambas Se Eu Morrer Amanhã (Garcia Júnior, Jorge Martins) e A Mulher do Lino (Luiz Gonzaga, Miguel Lima). Em 1973, comemorou 30 anos de carreira (gravadora RCA Victor), ao reinterpretar os sucessos Quase (Jorge Gonçalves), Eu Sou A Outra (Ricardo Galeno), Obsessão (Mirabeau, Milton de Oliveira), e apresentar inéditas Gente Humilde (Garoto, Vinicius de Moraes, Chico Buarque), A Flor E O Espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, A. Caminha). Também participou ao lado de Ismael Silva do espetáculo Se Você Jurar, escrito por Ricardo Cravo Albin, estreado no Teatro Paiol em Curitiba, e apresentado depois em São Paulo e no Rio de Janeiro.No ano seguinte, gravou com o ótimo cantor Paulo Marquez, A Música de Paulo Vanzolini (discos Marcus Pereira), em destaque Ronda, Sorrisos, e em duo Mulher Que Não Dá Samba e Teima Quem Quer.

Em 1980, outro notável lançamento Carmen Costa (Continental), em repertório dos clássicos Dama do Cabaré (Noel Rosa), Boneca de Pano (Assis Valente), O Mundo É Um Moinho (Cartola). Em 1981, o Teatro João Caetano, com o espetáculo do Projeto Seis e Meia,recebeu a dupla Agnaldo Timóteo & Carmen Costa, gravado ao vivo para o álbum Na Galeria do Amor (EMI-Odeon), quando não faltaram aplausos em solos de seu repertório: Sob Medida (Chico Buarque), Preciso Aprender A Só Ser (Gilberto Gil), Defesa (Mirabeau, Jorge Gonçalves, Vital de Oliveira). Cantora talentosa, versátil em diversos ritmos, Carmen Costa recebeu em 2003 homenagem da Câmara Municipal do Rio de Janeiro como patrimônio cultural do Brasil.


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