BIRA DA VILA (Duque de Caxias/RJ, 8 de janeiro de 1963)

            Filho do Seu Jair, passista da extinta escola Cartolinhas de Caxias, para quem compôs, aos 14 anos, seu primeiro samba O Malandrinho (se eu fosse um pintor de aquarela/ eu faria uma tela pra imortalizar/ o jeito gingoso que tem/ Malandrinho pra caminhar), o jovem Ubirajara Silva de Souza prenunciava sua carreira de cantor, compositor e percussionista. Dois anos depois, em uma roda de samba no Bar do Zezinho, próximo ao Clube Recreativo Caxiense, Bira, em pouco tempo, passou a se destacar e sentir o gosto de cantar e tocar o seu pandeiro.

Em 1982, conheceu o saudoso compositor Luiz Carlos da Vila, o grande incentivador e parceiro do ótimo samba Então Leva, lançado em 2008 por Zeca Pagodinho (indicado ao Prêmio da Música Brasileira de melhor canção no ano seguinte). Em 1993, teve a primeira composição Sorriso de Banjo (coautoria de Fidélis Marques e Melodia Costa), gravada por Jovelina Pérola Negra com muito sucesso no álbum Vou Na Fé (selo RGE). Em 1998, apresentou, para um público entusiasmado no extinto Teatro da Praia em Copacabana, o show Nova Matriz, quando cantou somente sambas autorais. A partir daí não parou mais, sempre presente em eventos da Riotur, e em outros projetos no Rio e adjacências.

Em 2002, Bira compôs Ventos da Liberdade (parceria com Riko Dolireo), que trata do fim da guerra civil em Angola, sempre tocada nas rádios oficiais do país. O seu precioso CD de estreia Canto da Baixada (Independente), gravado em 2005 (com ótimos músicos locais e participações de Zeca do Trombone e Nilze Carvalho, no bandolim) foi editado somente em 2010, após muita luta. Disco da maior importância para a história da nossa música popular, resultado de muitos anos de pesquisa, produção artística do radialista Adelzon Alves, resgata notáveis compositores da Baixada Fluminense, região de grande potencial artístico, tão esquecida pelos políticos, que por lá transitam nas óbvias ocasiões eleitoreiras, apresentando, entre outros bambas: Osório Lima (com Deus da Música, década de 1950), Sérgio Fonseca, Evandro Lima e Catoni (com Os Arcos, 1998), Anésio e Wilson Bombeiro (com De Seca À Meca, 1971), Manoel Santana (com Se É Pecado Sambar, 1950), além das participações especiais de Beth Carvalho em O Daqui O Dali E O De Lá (de Bira da Vila e Serginho Meriti, 2001), e de Luiz Carlos da Vila e Adelzon Alves em Paz Na Terra (de Bira da Vila, Serginho Meriti e Claudinho Guimarães, 2001). Como participante contumaz da célebre roda de samba do Renascença Clube, esteve presente no CD de estreia Samba do Trabalhador (Lua Music, 2005), interpretando o já citado O Daqui O Dali E O De Lá (É preciso mexer, misturar/ o daqui, o dali e o de lá/ pois o nosso tempero/ tem samba, tem xote/ tem frevo, embolada, balada, ijexá/ bota a banda pra tocar...).

Em 2013, Bira da Vila deu início no Teatro Raul Cortez no centro de Duque de Caxias, a uma série de apresentações do show 15 Anos do Meu Samba, com participação da banda Sakode e dos amigos Délcio Carvalho e Wanderley Monteiro, que se estenderam pelo ano seguinteem palcos importantes como o Centro Municipal de Referência da Música Carioca na Tijuca, Sala Baden Powell em Copacabana.Bira da Vila vem surgindo no cenário internacional, já conhecido na França e Venezuela, realizando ótimos shows de divulgação do seu trabalho sério, revolucionário, abrangente e consistente na riqueza dos mais variados ritmos nacionais. Salve guerreiro Bira! É uma honra merecer sua amizade!


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