BANDEIRA BRASIL (Rio de Janeiro 1950 – 30 de maio de 2013)

            Incansável divulgador da nossa cultura popular, de sugestivo nome artístico Bandeira Brasil ou Alcemir Gomes Bastos, nasceu em Marechal Hermes, criado em Pilares, de uma família de tradições musicais (o pai cavaquinista, e a mãe integrante da ala das baianas da Portela), chegando a desfilar, ainda criança pela escola de samba Caprichosos de Pilares. Foi na quadra do Cacique de Ramos que tudo começou, ao se apresentar como compositor, tendo o Grupo Fundo de Quintal gravado o samba Ópio (com Cléber Augusto) no álbum Divina Luz (RGE, 1985), Jovelina Pérola Negra lançado Feira de São Cristóvão (parceria com Beto sem Braço) no LP Luz do Norte (RGE, 1987), e Jorginho do Império interpretado Oi Quebra Coco (com Cléber Augusto), apresentado no disco Jorginho do Império (RGE, 1987). Iniciadas ainda nos anos 80, no bairro de Botafogo, suas prestigiadas rodas de samba fizeram grande sucesso (foto no Boteco Fala Sério, agosto/2010).

Em 2003, lançou seu único disco solo A Cor do Samba (produção independente), no qual incluiu sambas autorais como Carioca da Gema, Paisagem, e em parceria Romance dos Astros (Luiz Carlos da Vila, Cléber Augusto), além de participações especiais de Beth Carvalhoem Amante da Verdade (Nelson Cavaquinho, Ratinho), de Monarcoem Homenagem (Marquinhos de Oswaldo Cruz), de Arlindo Cruzem Peixinho (Arlindo Cruz, Wilson Moreira) e do saudoso Renatinho Partideiro em Tamarineira (Zeca Pagodinho). Em 2005, ao lado de Luiz Carlos da Vila e Wanderlei Monteiro, realizou aplaudido show no SESC Pompéia/SP. Nesse mesmo ano, Bandeira participou do histórico CD Samba do Trabalhador – Renascença “Samba” Clube (selo Lua Music) - que revelou novos talentos como Gabriel Cavalcante e Renato Milagres - cantando o autoral Lágrimas de Fogo (... essas lágrimas que queimam meu rosto/ são essas lágrimas que rolam de desgosto...). Em 2006, iniciou o projeto gratuito O Bonde do Samba, para resgatar os antigos carnavais de rua, quando se realizava “batalhas de confete” em bondes (Eu falo, eu grito/ o condutor tem a cara de cabrito). Na versão contemporânea, nos trilhos de Santa Teresa, participaram Dorina, Efson, Ivan Milanez, Nelson Sargento, Wilson Moreira, e outros.Incansável e criativo, em 2012, idealizou a Procissão do Samba, durante o período pré-carnavalesco (de outubro a dezembro), saído em cortejo em diferentes bairros da cidade (de Oswaldo Cruz, Tijuca, Bangu, Madureira) que contou com participações de inúmeros bambas como Noca da Portela, Fred Camacho, Marquinhos Sathan, Fundo de Quintal, Leci Brandão, Aloísio Machado. Integrante da ala de compositores da Portela, Bandeira Brasil assinou outros ótimos sambas, em parcerias: 13 de Maio (Luiz Carlos da Vila), As Crianças do Mundo (Serginho Procópio), À Vera (Bidubi, Luisinho Toblow, Élcio do Pagode), Erê (Beto sem Braço), Insônia (Nelson Cavaquinho, Neoci), Nega Dadivosa (Luis Cláudio Picolé e Serginho Procópio), Novos Quilombos (Ratinho), Perfeita Harmonia (Almir Guineto, Bidubi). A sua obra mereceu também a interpretação de sambistas como Dudu Nobre, Elza Soares, Ernesto Pires, Gabrielzinho do Irajá, Leci Brandão, Luiz Carlos da Vila, Marquinhos Sathan, Neguinho da Beija-Flor, Velha Guarda da Mangueira, Zeca Pagodinho, e muitos mais. Ao falecer prematuramente, seu coração “verde-amarelo-azul” deixou de bater, trazendo tristeza e saudade para os nossos, que amamos o samba. SALVE BANDEIRA BRASIL!


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