ANTÔNIO VIEIRA (São Luis/MA, 9 de maio de 1920 - 7 de abril de 2009)

            Garoto pobre criado por uma família abastada, foi batizado com o nome do escritor e político português Padre Antonio Vieira, missionário em terras brasileiras. Além dos estudos, viveu sua infância fascinado com o movimento efervescente do Mercado Central de São Luis, e os pregões cantados por seus vendedores ambulantes. Formado em Ciências Contábeis, exerceu diversas atividades, desde sargento do Exército, mecânico de automóvel a comerciante, tendo composto a primeira música Mulata Bonita (... eu quero a minha mulata/ que em São Luís eu deixei/ se não voltar para ela/ de tristeza morrerei), ainda nos anos 30.

Em 1943, participou de um quinteto vocal (Anjos do Samba), que atuava na Rádio Timbira (primeira emissora do Maranhão), quando aprendeu a tocar afoxé com maestria. Na década de 50, dirigiu o programa Telecine, atuando na televisão recém–inaugurada. Em meados dos anos 70, passou a utilizar o violão para melhor compor, e chegou a registrar suas músicas (mais de trezentas) no estúdio de uma gravadora, a ele oferecido pelo proprietário, seu companheiro e presidente da Ordem dos Músicos do Brasil/Maranhão. Nessa época, também atuou como diretor administrativo do Hospital Geral do Maranhão. Em 1983, esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro, acompanhando como percussionista o cantor e compositor Chico Maranhão no seu espetáculo Escravo do Coração, pelo projeto Seis e Meia.

Em 1988, foi lançado o LP Pregões de São Luís, a partir de livro homônimo (Fundação Cultural do Maranhão, 1980), parceria com o compositor Lopes Bogéa, sobre as canções entoadas nas ruas, anunciando a venda de produtos. Em 1997, a maranhense Rita Ribeiro gravou de sua autoria o samba Cocada (... e punha num tacho pra fazer cocada/ aí convidava mulatas e loiras/ morenas e negras pra dar uma provada...), indicado ao Prêmio Sharp de melhor canção, no ano seguinte, o que despertou atenções do mercado fonográfico para sua obra. O primeiro CD O Samba É Bom (Sony Music, 2001), gravado ao vivo no Teatro Arthur Azevedo, revelou todo seu talento para um público vibrante, contagiado por peças autorais como o já citado Cocada,os envolventes boleros Ciúme (parceria de Chaminé) e Pra Que Recordar, com participações de Célia Maria e Rita Ribeiro, respectivamente, a poética canção Maçarico (... maçarico passarinho/ das praias de Ribamar/ vá voando e avisando/ pra meu bem que eu vou voltar), com Sivuca ao piano, o maxixe Tem Quem Queira (amigo se andas triste/ vai para uma brincadeira/ se tu não quer/ tem quem queira...) ponto alto do show novamente com Rita Ribeiro, participação especial de Elza Soares (Na Cabecinha de Dora, Cachaça Apanhou – parcerias com Pedro Giusti e Lopes Bogéa, respectivamente) e no final o samba Menino Travesso (coautoria de Pedro Giusti) em duo com Zeca Baleiro, o diretor do espetáculo.

Ainda em 2001, foi editado o CD Antoniologia Vieira, produção independente do músico e professor de matemática Adelino Valente, com 16 composições interpretadas por jovens cantores do Maranhão, algumas menos conhecidas como Nordeste Seco, Patinho Feio, Vou Pro Mar, É Saudade, Por Ti, Ninguém Saberá.No ano seguinte, lançou o álbum Compositor Popular (selo Eldorado), poesia pura cantando recordações, saudades, tradições populares, brincadeiras infantis, e figuras marcantes de outras épocas como a vendedora de doces (... se me desse desses doces/ pois agora é que eu preciso/ depois que a vida tornou-se tão amarga para mim), o amolador, o carvoeiro, e o grande sucesso Banho Cheiroso (... você deve tomar banho cheiroso/ pra acabar com essa morfina/ e o corpo fica jeitoso).

Em 2004, apresentou-se no Centro Cultural Banco do Brasil/RJ para o projeto Brasil de Todos os Sambas, acompanhado pelos conterrâneos Rita Ribeiro e César Teixeira, além da cantora carioca Teresa Cristina. Nesse mesmo ano, a Companhia Vale do Rio Doce (em parceria com a Associação de Apoio à Música e à Arte do Maranhão – AMARTE) patrocinou uma caixa de apenas 70 exemplares não comercializada, distribuída em bibliotecas e entidades públicas, incluindo vídeo, dois livros – um de letras e outro biográfico – e 18 CDs, representando toda sua obra por ele cantada ao violão.

Com seu falecimento, ficam eternos os registros de sua expressiva obra, acentuada pelo ritmos e danças regionais (como o tambor de crioula, baralho, cucuriá, carimbó), pela poesia encontrada no homem comum, o amor e o sofrimento, os ditos populares, além de sua importância na formação da cultura do chorinho para o seu Estado.


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