ANA MARTINS (Rio de Janeiro, 17 de junho de 1972)

            Filha caçula de pais famosos da nossa música popular: Joyce Moreno e Nelson Ângelo. Com esse DNA e o talento nato, Ana Silveira Martins ainda criança já participava em coros de discos infantis, de artistas como Gonzaguinha, Milton Nascimento, Roberto Carlos, entre outros. Ao lado da irmã Clara Moreno, apareceu no cenário musical devido o sucesso da composição Clareana autoria de Joyce (... no ventre da mãe/ bate um coração/ de Clara, Ana/ e quem mais chegar...) para o Festival MPB-80, da TV Globo. A carreira artística surgiu como segunda opção, já que, inicialmente trabalhara como nutricionista formada, em 1993, pela Universidade Santa Úrsula. Ao fazer vocal de apoio para um disco japonês de música brasileira relativo à Copa do Mundo de Futebol de 1994, conheceu o produtor Kazuo Yoshida que, entusiasmado por sua voz, seria o responsável, mais tarde por sua entrada no mercado fonográfico japonês.

Em 1998, deu início à sua carreira de intérprete solo, exibindo-se em casas de espetáculos como Centro Cultural Carioca, Sala Funarte Sidney Miller, Teatro Rival, entre outras. Finalmente, foi lançado apenas no Japão o CD Futuros Amantes, (selo Rip Curl, 2000), entre as 12 faixas incluem-se: Brigas Nunca Mais (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), Tim Tim por Tim Tim (Haroldo Barbosa, Geraldo Jacques), Avarandado (Caetano Veloso) e a faixa título, de Chico Buarque. No ano seguinte, com a mesma gravadora foi editado o segundo álbum Linda, exibindo novas pérolas como Berimbau (Baden Powell, Vinicius de Moraes), Pra Que Discutir Com Madame (Haroldo Barbosa, Janet de Almeida), Linda (Nelson Ângelo, Joyce Moreno), Saudade Fez Um Samba (Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli). Em consequência do sucesso alcançado, Ana Martins se apresentou no circuito Blue Note, por várias cidades japonesas, em 2001 e 2004.

Retrocedendo a 2002, participou ao lado da irmã Clara Moreno do CD Nelson Ângelo: mar de mineiro (Lua Discos), quando interpretaram em terceto com o pai, suas canções Terra À Vista e Quando Eu Vi O Mar (parcerias com Cacaso). Em seguida, tomou parte do álbum Joyce Bossa Duets (Sony Music, 2003), nas faixas Receita de Samba, E Vamos Lá (assinadas por Joyce com Paulo César Pinheiro e João Donato, respectivamente). Voltando ao mercado japonês, a prestigiada cantora atuou nos álbuns Perfume da Bossa – Daylight Time (Universal Music, 2003), em três belas intervenções autorais (Enquanto Ouve Olivia, Um Dia de Repente, Noiva)e Filhas da Bossa (selo JVC, 2004), com as canções Estrada do Sol (Tom Jobim, Dolores Duran), Insensatez (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), Mas Que Nada (Jorge Benjor). Em 2005, o selo Biscoito Fino publicou o belíssimo CD Samba Sincopado (produzido inicialmente no Japão),dedicado à saudosa cantora Nara Leão, com repertório primoroso: Maria Joana (Sidney Miller), Fez Bobagem (Assis Valente), Pranto de Poeta (Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho), além de composições de Paulinho da Viola, Zé Ketti, Elton Medeiros, participações de músicos como Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (violão), Robertinho Silva (percussão) e arranjos de Joyce Moreno. Só gente “muito fina”!

Em 2006, esteve presente na coletânea Da Lapa (Biscoito Fino), sendo incluído o ótimo samba Homenagem Ao Malandro (Chico Buarque), apresentado no álbum anterior. Já em 2008, Ana Martins tomou parte ao lado de Carlos Lyra, Miúcha, Wanda Sá, entre outros do internacional CD Bacharach on Bossa, festejando em clima de bossa nova (no seu primeiro cinquentenário) os 80 anos do consagrado compositor americano, em versões para They Long To Be/Close To You, Raindrops Keep Fallin’ On My Head (Burt Bacharach, Hal David). Em constante atividade, atualmente trabalha na MultiRio, empresa da Prefeitura, como apresentadora, locutora e roteirista. Cantora encantadora, compositora com muita bossa, de uma simplicidade refinada, Ana Martins só merece nossos calorosos aplausos!


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