LUIZ HENRIQUE (Rio de Janeiro, 9 de fevereiro de 1972)

            Nasceu em hospital da Tijuca, e com menos de um ano, foi morar com a mãe no Bairro de Fátima, onde passou sua infância, “antenado” em emissoras de Rádio AM, procurando ouvir os ídolos Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves. Da vertente do samba se deliciava com as interpretações de Roberto Ribeiro, Benito de Paula e Clara Nunes, acrescidos de Wilson Simonal, Elza Soares e Leny Andrade, além de autores como Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Com esta bem montada seleção de craques musicais, o jovem Luis Eduardo Silva Nunes Andrade formou, sem perceber, o que seria a base para sua futura carreira de cantor e compositor.

Em 1985, mudou-se para Nova Friburgo, onde permaneceu durante cinco anos e participou de algumas serestas. Já envolvido pela música, gravou o CD Provocante (selo ABC, 1998), quando incluiu canções românticas e sambas, como A Solidão Vai Ser Meu Par (Agora que você já tomou conta do meu ser/ me abandona, assim de vez/ me diz adeus...) de sua autoria, e Uma Canção A Mais (... o que será de mim?/ desilusões embalsamaram meus desejos/ e nem os falsos beijos puderam ter em mim/ para enganar a dor, um mundo só de amor...) do portelense Manoel Vargas. Foi também nesta época, que conheceu o radialista Adelzon Alves, e se apresentou em seu concorrido programa da Rádio MEC/AM. Estudante de Direito, formou-se em 2003 pela Universidade Federal Fluminense de Niterói.

Por volta de 2002, tornou-se amigo da cantora Emilinha Borba, participando de seus dois últimos álbuns Emilinha Pinta e Borba (selo Timbre, 2003) no qual foram incluídas duas de suas composições Grandes Mitos (participação de Cauby Peixoto) e Lugar Comum, que mereceu dueto com a artista; Na Boca da Folia (Independente, 2005) atuando como intérprete e autor, em várias faixas. Sua trajetória artística começou a ter contornos definitivos, quando em 2010, após minucioso trabalho de pesquisa, Luiz Henrique lançou o importante álbum duplo Um Sinhô Compositor: José Barbosa da Silva – oito décadas de saudade (Independente, sem comercialização). No volume 1 (Quem São Eles?) apresenta interpretações menos conhecidas do homenageado, como de Moreira da Silva em Mil e Uma Trapalhadas (coautoria de Wilson Batista), Joel Teixeira com Zezé Motta em Não Quero Saber Mais Dela, Dercy Gonçalves no clássico Jura, além do pioneiro Baiano na faixa-título. No volume 2 (Sinhô Eu Canto Assim) Luiz oferece, no ritmo certo: Amar A Uma Só Mulher, Ora Vejam Só, Reminiscências do Passado, A Medida do Senhor do Bonfim, entre outras pérolas.

Em novo expressivo lançamento, Luiz Henrique acertou mais uma vez com seu brilhante CD Pro Samba Que Noel Me Convidou (Independente, 2013), incluindo parcerias menos constantes do “Poeta da Vila”: com Canuto (Esquecer E Perdoar), Henrique Brito (Queimei Teu Retrato), Antenor Gargalhada (Eu Agora Fiquei Mal), e peças raras de outros autores como Perdi O Meu Pandeiro (Cândido das Neves), O Destino É Deus Quem Dá (Nilton Bastos), Golpe Errado (Francisco Matoso), Você Chorou (Brancura). No ano seguinte, entrou para a ala de compositores da Império Serrano, escola que ganhou definitivamente o seu coração de sambista, ao se apresentar em badaladas rodas de samba, nos fins de semana.

Já em 2015, completou sua trilogia de “bambas do samba”, ao gravar o histórico CD Luiz Henrique: O Império de Silas, o primeiro a contemplar somente a genial obra do maior compositor da escola “verde e branco” do morro da Serrinha. É inacreditável que foram necessários 43 anos, contados a partir de seu falecimento prematuro, para que o cantor assumisse valentemente e com muita competência essa árdua tarefa, nos presenteando com um disco primoroso, apresentado por Marilia Trindade Barboza, biógrafa do mestre Silas de Oliveira.

Cabe garimpar algumas pérolas, como: os sambas de quadra O Império Tocou Reunir, Amor Aventureiro, (esses com Mano Décio), Meu Drama (com J. Ilarindo), e os sambas-enredo Heróis da Liberdade (Mano Décio, Manoel Ferreira) em duo com Jorginho do Império, Os Cinco Bailes da História do Rio (de Yvone Lara e Bacalhau), Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira), contando no final apoteótico com participação especial da Velha Guarda Show.

Como funcionário público, Luis vem exercendo normalmente o seu trabalho no Rio de Janeiro sem, contudo, deixar de ser o sambista Luiz Henrique, compositor e cantor, que com talento e dedicação vai ganhando, merecidamente, seu espaço na música popular brasileira.


© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha