LENY ANDRADE (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1943)

            Após participar do programa Clube do Guri,na Rádio Tupi/RJ, Leny Andrade de Lima incentivada pela mãe estudou piano, e alcançou o diploma de formação clássica no Conservatório Brasileiro de Música. Em 1958, iniciou sua carreira artística como crooner da orquestra de Permínio Gonçalves, uma das mais requisitadas em bailes da época. Em seguida, atuou em casas noturnas, notadamente na boate Baccarat, no lendário Beco das Garrafas, em Copacabana.

Em 1961, Leny Andrade gravou (RCA Victor) seu primeiro LP A Sensação, cujo título fazia jus às suas interpretações, com misturas de samba e jazz. No repertório irretocável: Samba de Uma Nota Só (Tom Jobim, Newton Mendonça), O Amor E A Rosa (Pernambuco, Antonio Maria), Receita Para Esquecer (Durval Ferreira). Ainda nos anos 60, lançou sempre com sucesso: A Arte Maior de Leny Andrade (Polydor, 1963), com arranjos do saudoso pianista Tenório Jr: Samba do Avião (Tom Jobim), Consolação (Baden Powell, Vinicius de Moraes), Moça Flor (Durval Ferreira, Luis Fernando Freire), Influência do Jazz (Carlos Lyra); o brilhante Estamos Aí (Odeon, 1965), de leituras magistrais para A Resposta (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle), pot-pourri com sambas emblemáticos de uma época de protestos: Deixa O Morro Cantar (Tito Madi), O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), Opinião (Zé Ketti), Enquanto A Tristeza Não Vem (Sérgio Ricardo), Reza (Edu Lobo, Ruy Guerra); Gemini V: show da Boate Porão 73, com Pery Ribeiro e Bossa 3 (Odeon, 1965), integrados com direção artística de Miele & Bôscoli.

Entre 1966 e 1972, morou na cidade do México, onde se apresentou com o grupo já citado o show do Gemini V, na fervilhante Zona Rosa. Ainda na década de 70, cabe destacar as gravações de Alvoroço (Odeon, 1973), em repertório eclético e inovador: Não Tem Perdão (Ivan Lins, Ronaldo Monteiro de Souza), Bolero (Wagner Tiso Robertinho Silva, Tavito, L. Alves, Milton Nascimento), Partido Rico (João Nogueira, Paulo César Pinheiro); Leny Andrade (Odeon, 1975): o samba plenamente puro: Antes Assim (Wilson Moreira), Tabuleiro (João de Aquino, José Márcio), Folha Morta (Ary Barroso); Registro (Columbia, 1979): Leny Andrade canta e encanta: I Love You You Love Me (Durval Ferreira), Vai de Vez (Roberto Menescal, Lula Freire), Homenagem A João Gilberto: De Conversa Em Conversa (Lucio Alves, Haroldo Barbosa)/ Tim Tim por Tim Tim (Portinho, W. Falcão)/ Eu Quero Um Samba (Haroldo Barbosa, Janet de Almeida).

Nos anos 80, dividiu-se entre o Brasil e Estados Unidos, onde gravou discos, apresentou-se em várias cidades, inclusive em Nova York no lendário Blue Note, considerado o templo do jazz norte-americano. Pelo selo Pointer, lançou dois álbuns homônimos Leny Andrade, sempre com sua voz magnífica e belas canções: Flor de Lis (Djavan), Trocando Em Miúdos (Francis Hime, Chico Buarque), O Negócio É Amar (Dolores Dura, Carlos Lyra), de 1984, e Dindi (Tom Jobim, Aloísio de Oliveira), Enredo do Meu Samba (Yvone Lara, Jorge Aragão), Vai Passar (Francis Hime, Chico Buarque), essas de 1985.

Em 1992, o selo Velas editou o histórico Leny Andrade Interpreta Cartola, acompanhada ao piano por Gilson Peranzzetta (comemorativo aos 80 anos do saudoso mestre, lançado em 1987) e, em 1994, Luz Negra: Nelson Cavaquinho por Leny Andrade. Em outro CD antológico, para a série Letra e Música: Antonio Carlos Jobim (Lumiar Discos, 1995), Leny Andrade em perfeita sintonia com o pianista Cristóvão Bastos, gravou em clima intimista: Vivo Sonhando, Este Seu Olhar, Ligia, Esquecendo Você. Ao homenagear compositores de sua preferência e amigos, adicionou mais dois preciosos volumes em sua expressiva discografia: Leny Andrade Canta Altay Veloso (Paradoxx, 2000) e Quero Que A Canção Seja você (Albatroz, 2001), com músicas de Ronaldo Bôscoli. Pelo selo Biscoito Fino, outro belíssimo lançamento ocorreu em 2006: Leny Andrade & Romero Lubambo: Lua do Arpoador. No ano seguinte, dividiu com o pianista César Camargo Mariano o prêmio Grammy Latino de melhor álbum de música popular brasileira (gravado ao vivo no Teatro Guaira, em Curitiba, selo Albatroz), com destaques para Tristeza de Nós Dois (Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Bebeto), A Ilha (Djavan), Da Cor do Pecado (Bororó), Carinhoso (Pixinguinha, João de Barro), e outros. Incansável, Leny Andrade lançou Alma Mía (etiqueta Fina Flor, 2010), interpretações de belos boleros como Sabra Dios (Alvaro Carrillo), Vete de Mi (Virgilio Expósito, Homero Expósito), Nosotros (Pedro Junco), Llévatela (Armando Manzanero).

Em 2013, escolheu repertório de Roberto Carlos: As Canções do Rei (selo Albatroz), para versões em espanhol. No ano seguinte, gravou o CD Iluminados: Leny Andrade Canta Ivan Lins & Vítor Martins (produção independente), em grande forma viaja por importante acervo da dupla, nos anos 70/90. O estilo eclético de Leny Andrade, cantora de voz educada, técnica e de “coração na mão”, criativa em sua capacidade de improvisação, conhecida internacionalmente, encontra-se entre os grandes nomes definitivos da nossa música popular.


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