ALCIONE (São Luis/MA, 21 de novembro de 1947)

            Ainda criança, Alcione Dias Nazaré aprendeu a tocar instrumentos de sopro (frevo e choro) com o pai, mestre de banda da Polícia Militar da cidade. Vivendo em ambiente musical, passou a admirar Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Núbia Lafayette e o verde e rosa da Mangueira. Pressionada pelo pai, cursou a Escola Normal, formou-se como professora primária e lecionou durante dois anos.

Determinada a ser cantora, em 1968 mudou-se para o Rio (onde já moravam uma tia e um irmão). Ao procurar sua independência, passou a trabalhar como vendedora de loja de discos, e conseguiu uma vaga para morar em Copacabana. Em seguida, começou a cantar na noite carioca (Beco das Garrafas), e participar de programa de calouros da TV Excelsior. Em 1970, viajou para a Europa, fixando-se na Itália, onde morou por dois anos. Ao retornar, foi para São Paulo se apresentou na boate Blow-Up quando, através de Jair Rodrigues, gravou seu primeiro compacto simples (selo Philips, 1972), com os sambas Figa de Guiné (Reginaldo Bessa, Nei Lopes) e O Sonho Acabou (Gilberto Gil), de pouca repercussão na época.

Em 1973, fez tournée pelo México (cantando e tocando seu trompete), e Portugal (Festival de Música Portuguesa). Em 1975, gravou o primeiro LP A Voz do Samba (selo Philips), no qual emplacou o megassucesso Não Deixe O Samba Morrer (de Édson e Aloísio), além de outras preciosidades como O Surdo (Totonho, Paulinho Rezende), Espera (Batatinha, Ederaldo Gentil), Todo Mundo Quer (Ismael Silva). A partir daí, não parou mais com o álbum Alerta Geral (Philips, 1978), nome de programa musical da Rede Globo, por ela comandado, entre as pérolas: A Profecia (Candeia), Zelão (Sérgio Ricardo), e o samba de breque Eu Sou A Marrom (Roberto Corrêa, Sylvio Sion). No ano seguinte, Alcione: Gostoso Veneno (selo Philips), além da faixa que batiza o disco (de Wilson Moreira, Nei Lopes), encanta ao se ouvir Amantes da Noite (Dida, Dedé da Portela), Rio Antigo (Nonato Buzar, Chico Anysio), Quero Sim (Darcy da Mangueira, Leci Brandão). Nos anos 80, sempre fazendo o que mais gosta, gravou pela RCA Victor: Vamos Arrepiar (1982), com destaques: Vendaval da Vida (Noca da Portela, Délcio Carvalho), Edital (Almir Guineto, Luverci Ernesto), Verde E Rosa (Silvio César); Almas & Corações (1983): quando canta Qualquer Dia Desses (Reginaldo Bessa), Rapsódia da Saudade (Toco) participação do autor, Regresso (Amilcar Cabral, de Cabo Verde e José Agostinho, de Angola); Da Cor do Brasil (1984): inclui Vida Boa (Zé Katimba, Serjão), Forrofiar (Luiz Gonzaga, João Silva) participação de Luiz Gonzaga, A Luz do Vencedor (Candeia, Luiz Carlos da Vila), e outros.

Na década de 90, já pelo selo BMG-Ariola, a incansável Alcione marcou novos sucessos nos CDs Emoções Reais (1990), Promessa (1991), Pulsa Coração (1992). Em seguida pela gravadora BMG Brasil: Brasil de Oliveira da Silva do Samba
(1994), Profissão Cantora (1995), Tempo de Guarnicê (1996), pela etiqueta Polygram: Valeu (1997), Celebração (1998), e o emocionante Claridade: uma homenagem a Clara Nunes (Globo/Universal, 1999), onde relembra: Juízo Final (Nelson Cavaquinho. Élcio Soares), Conto de Areia (Romildo Bastos, Toninho Nascimento), Feira de Mangaio (Sivuca, Glorinha Gadelha). O novo século marcou o primeiro disco ao vivo da cantora: Alcione: nos bares da vida (Universal, 2000), com uma verdadeira seleção nacional de músicos, além de João Lyra (violão), Belôba e Esguleba (percussão), repertório abrangente e irretocável, é preciso ouvir sempre e aplaudir: Bar da Noite (Bidu Reis, Haroldo Barbosa), Neste Mesmo Lugar (Klécius Caldas, Armando Cavalcanti), Ilusão À Toa (Johnny Alf) com Rildo Hora na gaita, Pelo Cansaço (Fátima Guedes), Pra Machucar Meu Coração (Ary Barroso), Lamento Sertanejo (Dominguinhos, Gilberto Gil), Mel Na Boca (David Correia), Carinhoso (Pixinguinha, João de Barro). Com inúmeras premiações em discos de ouro e de platina, ganhou o Grammy Latino de 2003, na categoria de melhor álbum de samba com Alcione Ao Vivo (selo Indie Records), por onde desfilam: Sufoco (Chico da Silva, Antônio José), O Que Eu Faço Amanhã (José Augusto), Nem Morta (Michael Sullivan, Paulo Massadas), Que Maravilha (Jorge Ben, Toquinho), Meu Vício É Você (Chico Roque, Carlos Colla), A Loba (Paulinho Resende, Juninho Peralva).

Em 2005, a versatilidade de Alcione ganhou outras cores com o CD Uma Nova Paixão (Indie Records), mantendo o seu prestígio inabalável de grande intérprete como no bolero Causa Perdida (Rosa Passos, Aldir Blanc), no samba descontraído Meu Ébano (de Nenéo e Paulinho Rezende), e nos românticos Umas E Outras (Serginho Meriti, Claudinho Guimarães), Se Não É Amor (Luciana Browne, Carlos Colla). Sambista de coração “verde e rosa”, ao comemorar 40 anos de carreira em 2012, Alcione lançou pela gravadora Biscoito Fino o CD Duas Faces, ao vivo na Mangueira, traz convidados especiais como Jorge Aragão em Na Mesma Proporção (de Nilton Barros e Jorge Aragão), Diogo Nogueira em Poder da Criação (de João Nogueira e Paulo César Pinheiro), além de músicas da sua predileção: Mulher Bombeiro (de Ney Lopes e Ruy Quaresma), Duas Faces (de Altay Veloso). Com sugestivo título Eterna Alegria (Biscoito Fino, 2013), em álbum de inéditas, Alcione “cai no samba” e apresenta: Produto Brasileiro (Xande de Pilares, Gilson Bernini, Brasil do Quintal), Sentença (Serginho Meriti, Claudemir, Ricardo Morais), Direitos Iguais (Sereno, André Renato) além da faixa título, de Júlio Alves, Carlos Jr, Ramirez, Alex Almeida. Seu mais recente trabalho, Alcione ao vivo em grandes encontros (Biscoito Fino, 2015), além de compilações, dividiu o microfone prazerosamente com Djavan (Capim), Victor e Leo (Romaria, de Renato Teixeira), Áurea Martins (Pela Rua, de Dolores Duran, Ribamar).Cantora de múltiplas facetas, do samba contemporâneo às canções românticas, do samba de roda e do forró, de voz forte e marcante, também chamada de Marrom, apaixonada por sua cidade natal e pelo Rio de Janeiro que como o Cristo Redentor a recebeu de braços abertos.  


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