GRUPO FUNDO DE QUINTAL (Rio de Janeiro, 1980)

            Na década de 70, o tradicional bloco carnavalesco Cacique de Ramos realizava, nas quartas-feiras em sua quadra da Rua Uranos, o histórico Pagode da Tamarineira, reunindo intérpretes e compositores, que viriam escrever seus nomes na história do nosso samba, como Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Emílio Santiago, entre outros. Em 1978, a cantora Beth Carvalho entusiasmada com o talento de seus participantes, além de incluir o samba Vou Festejar (Jorge Aragão, Neoci Dias, Dida), convidou os irmãos Bira “Presidente” e Ubirany (de uma das famílias fundadoras do bloco em 1961), e outros, para participarem do assim creditado “pessoal da cozinha” no antológico álbum De Pé No Chão (RCA, BMG).

Não tardou a sair, em 1980, já batizado como Grupo Fundo de Quintal o excelente álbum Samba É No Fundo do Quintal (RGE, Som Livre), com sua primeira formação: Bira, Ubirany, Jorge Aragão, Sereno, Almir Guineto, Neoci e Nemézio, quando incluíram pérolas como Volta da Sorte (Almir, Luverci Ernesto), Gamação Danada (Almir, Neguinho da Beija-Flor), Bar da Esquina (Jorge Aragão, Jotabê), Voltar A Paz (Sereno) e provocaram uma verdadeira revolução na sonoridade instrumental com o tantã, banjo, repique de mão e harmonias mais trabalhadas.

No ano seguinte, com o título Grupo Fundo De Quintal (RGE, Som Livre), a inclusão de Arlindo Cruz e Sombrinha, saíram Jorge Aragão, Almir Guineto (para carreiras solo) e Nemézio, o sucesso continuou: Doce Refúgio (Luiz Carlos da Vila), Amarguras (Zeca Pagodinho, Cláudio Santos), Melhor Para Dois (Arlindo Cruz), Suborno (Sereno, Sombrinha). Com o falecimento do compositor Neoci, em 1983, o terceiro LP Nos Pagodes da Vida (RGE) trouxe a inclusão de Cleber Augusto, o emblemático samba Caciqueando (Noca da Portela), o partido-alto Encrespou O Mar Clementina (Walmir Lima, Roque Ferreira), as pérolas Enredo do Meu Samba (Yvone Lara, Jorge Aragão) e Nossas Raízes (Sombrinha, Ratinho). Os anos foram se passando, o grupo sofreu outras modificações, mantendo a chama da tradição, com 27 álbuns de carreira lançados sob a tutela do Bira Presidente (pandeiro), acompanhado de Sereno (tantã) e Ubirany (repique de mão), o trio pioneiro do Fundo de Quintal.

Em 2015, foi editado o último CD Só Felicidade (Radar Records), com Ronaldinho (banjo), Ademir Batera (bateria) e o retorno de Mário Sérgio (cavaquinho), morto no ano seguinte. No repertório, deve-se citar, entre outras: Hoje Tem Festa (Mário Sérgio, Bandeira Brasil), Esqueço da Hora (Pretinho da Serrinha, Almir Guineto, Fred Camacho), Pra Quê Deixar Pra Amanhã (Claudemir, André Renato, Marquinhos Índio).

E para felicidade de todos nós, amantes do samba, o disco foi agraciado com o Grammy Latino, na categoria específica de música brasileira, como melhor álbum de samba/pagode. Então, vamos comemorar e cantar: ... já que você tá tão feliz, dá um grito/ solta o riso, não disfarça/ já que você tá tão feliz, faz a festa/ cai no samba, extravasa! Só Felicidade (André Renato, Sereno).


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