EMÍLIO SANTIAGO (Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946 – 20 de março de 2013)

            Cantor refinado de voz grave, ao mesmo tempo macia e aveludada, deu início à sua arte na noite carioca dos anos 70, esquecendo o seu diploma de Direito. Seu álbum de estreia Emílio Santiago (CID, 1975), além de uma seleção de instrumentistas notáveis como Copinha (flauta), Durval Ferreira (guitarra), Edson Maciel (trombone), Wilson das Neves (bateria), Zé Bodega (sax tenor), entre outros, a escolha de repertório, como Quero Alegria (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito), Batendo A Porta (João Nogueira, Paulo César Pinheiro), Nega Dina (Zé Ketti), prenunciava o seu bom gosto musical.

Em 1977, gravou o admirável LP Feito Para Ouvir (selo Philips), entre várias preciosidades: Beijo Partido (Toninho Horta), O Que É Amar (Johnny Alf), Tristeza de Nós Dois (Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Bebeto), Olha Maria (Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque). 

Consagrado como intérprete popular, lançou o excelente álbum O Canto Crescente de Emílio Santiago (Philips, 1979), em clima deliciosamente intimista, incluiu Trocando Em Miúdos (Francis Hime, Chico Buarque), Outra Vez (Isolda), As Rosas Não Falam (Cartola), Amigo É Pra Essas Coisas (Silvio da Silva Jr., Aldir Blanc) em duo com João Nogueira. No ano seguinte, um show gravado ao vivo na Barra da Tijuca originou o LP Guerreiro Coração, com marcantes atuações de Santiago: A Noite (Ivan Lins, Vitor Martins), Mistura (João Roberto Kelly), Minhas Madrugadas (Candeia, Paulinho da Viola), Perdão (Tunai, Sérgio Natureza), e outras.

Entre 1988 e 1994 foi criada, por Heleno de Oliveira e Roberto Menescal, a série Aquarela Brasileira em sete volumes (Som Livre), que divulgou ainda mais o seu talento por todo o país, com interessantes quadros temáticos como: Kizomba, a festa da raça/ 100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão/ Lenda Carioca, Os Sonhos do Vice-Rei (Rodolfo, Jonas/ Hélio Turco, Jurandir, Alvinho/ Neném, Mauro Silva, Isaac, Luizinho, Carlinhos Madureira); Aquarela do Brasil/ Bye Bye Brasil (Ary Barroso/ Roberto Menescal, Chico Buarque); Eu E A Brisa/ Pra Você (Johnny Alf/ Silvio César); Ronda/ Sampa (Paulo Vanzolini/ Caetano Veloso), citando, como exemplo, apenas quatro painéis do disco inicial. Sucesso absoluto! Ainda nessa década, vale salientar os CDs: Perdido de Amor (1995), um tributo ao cantor Dick Farney: Copacabana (João de Barro, Alberto Ribeiro), Alguém Como Tu (José Maria de Abreu, Jair Amorim), Tereza da Praia (Tom Jobim, Billy Blanco) participação de Luiz Melodia, Uma Loura (Hervê Cordovil); Emílio Santiago (1997), registro de sua versatilidade: Meu Sonho É Você (Altamiro Carrilho, Átila Nunes), O Ciúme (Caetano Veloso), Misty (Errol Garner, Johnny Burke), Chinelo Novo (Niltinho Tristeza, João Nogueira), ambos pela Som Livre.

Já em 2000, novo lançamento (Sony Music), dedicado a outro momento importante da música popular: Emílio Santiago: Bossa Nova, onde se destacam, entre outras: Doce Viver (Dé, Nelson Motta, Marcos Valle), Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá, Antônio Maria), A Felicidade (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), Chuva (Durval Ferreira, Pedro Camargo). No ano seguinte, uma comovente homenagem ao saudoso compositor Gonzaguinha marcou o CD Um Sorriso Nos Lábios (Sony Music), profundamente belo em faixas, como: Grito de Alerta, Espere Por Mim Morena, Comportamento Geral, O Que É O Que É?. Talento em dose dupla exibiu Emílio Santiago Encontra João Donato (Lumiar Discos, 2003), admiradores mútuos desde os anos 70, realizaram um show de harmonia, criatividade e cumplicidade. É só conferir, entre composições de Donato: E Vamos Lá (com Joyce), Até Quem Sabe (com o mano Lysias Ênio), Os Caminhos (com Abel Silva), A Paz (com Gilberto Gil).

Em 2009, Santiago se apresentou em Nova York, ao lado de Dori Caymmi, no famoso “Birdland”,  templo sagrado do jazz, e mereceu matéria destacada, bastante elogiosa, publicada no The New York Times. Seu último trabalho Só Danço Samba (Universal Music, 2010) foi dedicado a Ed Lincoln “o rei do swing e dos bailes” com quem o cantor trabalhou nas boates da zona sul. Além da faixa título (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), cabe destacar Olhou Pra Mim (Ed Lincoln, Silvio César), Samba de Verão (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle), Falaram Tanto de Você (Durval Ferreira, Orlandivo). Ao falecer, vítima de um acidente vascular cerebral, o carismático e sempre sorridente Emílio Santiago deixou saudades, e como legado uma obra fonográfica, de expressiva qualidade.


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