EFSON (Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1944 – São Gonçalo/RJ, 5 de novembro de 2014)

            Edison Ferreira nasceu no morro da Caixa D’Água, em Jacarepaguá, em meio à tradicional família de sambistas. Depois, se mudou para o morro dos Macacos, em Vila Isabel. Na década de 60, atuou como crooner em boates de Copacabana, depois passou a frequentar o bloco Cacique de Ramos e, em seguida, ingressou na ala de compositores da Portela.

Em 1974, ao interpretar Sanfona No Samba e O Carambê (ambas de sua autoria), estreou no mercado fonográfico com o LP A Fina Flor do Partido Alto (selo CBS), ao lado de outros sambistas como Padeirinho, Dedé da Portela e Babaú da Mangueira. Seus sucessos iniciais foram Firme E Forte (com Nei Lopes) e Brilha Pra Mim (com Odibar), gravados por Beth Carvalho (1983) e Jorge Aragão (1988), respectivamente.

Em 1997, a sua composição Hoje É Dia de Festa (hoje é dia de festa/ em todos os terreiros/ ouviu, Maria?/ hoje é dia de Todos os Santos/ bom dia pra se curiar/ o couro tá comendo/ essa hora também na casa de Sinhá/ até cobra deve está fumando/ minha gente por lá...)mereceu o título para ótimo álbum interpretado por Zeca Pagodinho (em selo Polygram). Frequentador assíduo de famosas rodas de samba do Rio (como a do Renascença Clube, sempre muito aplaudido), participou do histórico CD Zeca Apresenta Quintal do Pagodinho (Universal Music, 2001), interpretando Carreiro Sanfoneiro (parceria com Nei Lopes).

Em 2008, Efson lançou seu primeiro disco solo Negro Sim Senhor (selo independente), incluindo de sua autoria Negro Sim Senhor (com Marquinho PQD e Franco), Acidental, Caçamba, Pra Rezar (essas com Odibar), e outras. Em dezembro de 2010, o saudoso amigo esteve presente no antigo Bar do Teatro Rival Petrobrás, antes do show Pré-Reveillon do Samba, comandado pela cantora Dorina, quando foi tirada a foto.

Em 2014, Efson se afirmou como intérprete e compositor de primeira linha do samba atual, ao apresentar o CD Pra Gregos e Troianos (produção independente), com ótimas músicas todas autorais como: Amor Traíra, Bem Que Eu Gostaria, Amor À Primeira Vista (essa com Paulinho Rezende), Culpa (com Odibar), Pra Quem Sonhou (com Nelson Rufino), a romântica De Novo (com Odibar). Como compositor, também assinou, entre outras: Água de Poço, Ah Se Eu Pudesse, Amor Que Me Alucina, Amor Rola Na Cama, Coisa Tola, De Novo, Eu Vou Pra Olinda, Limão Doce, Meu Xingu, Querubim, Seja Feliz, Sonho Infantil (essas com Odibar, seu parceiro mais constante), Feito Amendoim, Fogo No Tacho, Palco (essas com Nei Lopes), e sem parceiros: Dessa Fruta Que Papai Gosta, Mama, Olha Aqui Pra Você, Pra Que Fantasia, Quais Quais Quais, Som Rubro-negro, Viúva de Seis (cuidado com essa mulher/ que quer se casar outra vez/ ela é viúva de seis/ e com você será a sétima vez...).

Cabe também mencionar outros intérpretes de sua obra: Alcione, Agepê, Bezerra da Silva, Neguinho da Beija-Flor, Roberto Ribeiro e Elza Soares. Preparando-se para festejar 70 anos de idade, inesperadamente foi internado em hospital estadual, vindo a falecer acometido de falência múltipla de órgãos. Suas apresentações eram brilhantemente intensas e teatrais, com gestos em perfeita sincronia com o ritmo da música, levando o público ao delírio.


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