CASQUINHA (Rio de Janeiro, 1 de dezembro de 1922)

            Otto Enrique Trepte nasceu no subúrbio de Ricardo de Albuquerque, zona norte da cidade, filho de imigrante alemão Paul Trepte com a bela sambista Ignês. Com 18 anos de idade, morando em Oswaldo Cruz, sua paixão inicial era o futebol, chegando a jogar em clubes da segunda divisão, como Casquinha, seu apelido de infância. Trabalhando como bancário, frequentava a Portela, de vez em quando, tornando-se amigo e parceiro do mestre Candeia. Em 1953, teve seu samba Vem Amor gravado, em selo Musidisc, pelo Avelino de Andrade (o “crooner de ouro” da Portela).

Quase em seguida, entrou para a ala de compositores da escola, sendo um dos vencedores do desfile de 1959 com o samba enredo Brasil Panteão de Glória (coautoria de Bubú, Candeia, Waldir 59 e Picolino).

Em 1965, integrante do grupo Mensageiros do Samba da Portela (ao lado de Candeia, Bubú e Picolino), estreou no mercado fonográfico com o LP A Vez do Morro (selo Polydor), quando incluiu de sua autoria: Sinhá, Sinhá (com Candeia), Ao Telefonar e Mudei de Opinião (essas com Bubú), Mulata (com David do Pandeiro), Se Eu Conseguir (com Picolino). Em 1970, participou como instrumentista (surdo) do álbum inaugural Passado de Glória (selo RGE) da Velha Guarda da Portela, ao lado dos irmãos Aniceto, Manacéa e Mijinha, Chico Santana, Alberto Lonato, entre outros bambas. A partir daí, passou a figurar efetivamente nos demais discos: Velha Guarda da Portela: série grandes sambistas “Doce Recordação” (Kuarup/Nikita 1986/2000), Homenagem a Paulo da Portela (Ideia Livre/Nikita, 1988/2001), Tudo Azul (EMI, 2000).  Ainda na década de 70, com o grupo Partido em 5 (acompanhado de Candeia, Wilson Moreira, Velha da Portela, entre outros), gravou os três iniciais antológicos álbuns (selo Tapecar, 1975/77) interpretando de sua autoria Preta Aloirada (ela é preta na cor, mas é loira no cabelo/ quando ela entra no samba, há quase sempre atropelo...), Dendeca de Briga (com Jorge Porém), Sinal Aberto, Coroa Avançada (com Dolino), Cabelo Danado (nega, vou te fazer um apelo: quer ser dona do meu lar? Cuide mais do teu cabelo...), A Velha Guarda da Portela e Cantor de Sacola.

Finalmente, em 2001, foi contemplado com seu único álbum solo Casquinha da Portela (Lua Discos), onde interpreta em seu estilo sincopado pérolas autorais como: Maria Sambamba (... já me contaram que um falso folião metido a bamba/ até um milhão gastaria/ pra conquistar Sambamba...), a clássica parceria com Paulinho da Viola Recado (com participação especial de Aldir Blanc), A Baiana Levou Meu Tamborim, O Samba Não Tem Cor (... o samba é puro, o samba é feito com amor/ se alguém disser o contrário, pouco importa, não se zangue/ o samba não está na cor, e sim no sangue).Atualmente morando em Bangu com a filha Mônica, genro e duas netas, sente-se feliz e orgulhoso com o lançamento do DVD Casquinha da Portela: O Samba Não Tem Cor, gravado em 2014, no Portelão, com participações de Monarco, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Paulinho da Viola e Mauro Diniz (o diretor do significativo evento).

Casquinha, compositor de repertório criativo e diversificado, ritmista, cantor, emérito partideiro, sempre modesto, de natureza generosa e brincalhona, nunca se deu conta da sua importância na história da querida Portela e da própria música popular brasileira. Entre inúmeros intérpretes de sua obra, além dos já citados, vale ressaltar: Luiz Carlos da Vila, João Nogueira, Candeia, Nara Leão, Jair Rodrigues, Elza Soares, Dudu Nobre, Cristina Buarque, Clara Nunes e muito mais. A foto (datada de 2001, no Museu da Imagem e do Som - Praça XV), por ocasião do lançamento do precioso livro A Velha Guarda da Portela, de João Baptista M. Vargens & Carlos Monte.


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