ADALTO MAGALHA (Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1945 – 6 de agosto de 2016)

            Criado no bairro do Engenho de Dentro, em uma família de alto DNA musical, o garoto Adalto Magalhães Gavião, sempre ouvindo a Rádio Nacional, e seus astros Cauby Peixoto, Emilinha e tantos mais, tinha certeza que o seu destino seria conduzido para o mundo do samba. Sem tocar qualquer instrumento, se divertia, ao fazer letra em cima de uma música de sucesso. Com esse peculiar aprendizado, influenciado pelos sambas do João Nogueira, começou a frequentar a já consagrada roda do Cacique de Ramos, e depois o Pagode do Arlindo.

 

Com todo esse embalo, conheceu as pessoas certas, teve sua primeira composição Cruel Sociedade, coautoria de Capri (Oh! Meu irmão/ deixa essa vida de lado/ pra se arrumar um trocado/ usa a imaginação/ a liberdade é um grande investimento/ dentro de uma cela fria/ mais aumenta o sofrimento...)lançada no LP O Samba Descontraído de Capri (selo Arca Som, 1985). Ao mesmo tempo, Almir Guineto em seu álbum Sorriso Novo (selo RGE, 1985), foi o predestinado a se tornar seu parceiro e intérprete mais constante, alavancando o samba Rendição (Nada me faz sofrer/ quando estou estendido em tuas mãos/ não consigo medir a dimensão/ não me deixe perdido nesse mundo cão...),um marco na obra poética de Adalto Magalha, parceria de Guineto e Capri. Em seguida, convidado pelo Arlindo Cruz, participou de dois LPs Explosão do Pagode I e II (selo CID, 1986/88), ao lado de outros sambistas como Darci Maravilha e o saudoso Cláudio Camunguelo, quando também se consolidou o lado intérprete, com os sambas Fonte de Energia, Eu Gosto Assim (parcerias com Adilson Victor) e Senhor Cidadão (com Acyr Marques) no álbum I, e Me Leva Pra Sua Casa (de Joel Teixeira e Sapato), com Sapato e participação de Adalto Magalha e Darci Maravilha, Dom de Compor (com o mano Adilson Gavião), Renascer da Flor (com Sapato e Adilson Gavião) intérprete Sapato, para o volume II.

Consagrado no mundo do samba, passou a merecer gravações de outros nomes expressivos como Elba Ramalho (Corcel Na Tempestade,com Almir Guineto, 1987), Mussum (Verdade Expressa,com Almir Guineto, 1987), Elymar Santos (É Gostoso Te Amar, com Almir Guineto, 1989), Jair Rodrigues (Retrato de Uma Flor, com Noca da Portela, Adilson Gavião, 1989), Jovelina Pérola Negra (Golpe de Azar,com Almir Guineto, Arlindo Cruz, 1989), Marquinhos Satã (Lentamente,com Almir Guineto, 1989), Thobias da Vai-Vai (Cenas de Perigo, com Almir Guineto, 1989), Nelson Rufino (Essência da Solidão, com Almir Guineto, 1993), Fundo de Quintal (Nosso Fogo, com Zé Roberto e Adilson Bispo, 1994), Pedrinho da Flor (Demorou, com o intérprete, 1994),Dominguinhos do Estácio (Convite de Casamento, com Pedrinho da Flor, 1995),Noca da Portela (Minha Missão, com o intérprete, 1998),Beth Carvalho (Amor E Festança, parceria com Toninho Gerais, 1999), Joanna (Fonte de Prazer,com Toninho Gerais, 1999), Leci Brandão (Rendição, com Almir Guineto e Capri, 1999).

Dedicando-se também a compor sambas enredo, Adalto Magalha assinou pelo Salgueiro: Um Caso por Acaso (com Márcio Paiva, Quinho, 1995 – 5º lugar), Anarquistas Sim, Mas Nem Todos (com Márcio Paiva, Eduardo Dias, Quinho, 1996 – 5º lugar), De Poeta, Carnavalesco E Louco... Todo Mundo Tem Um Pouco (com Márcio Paiva, Eduardo Dias, Tico do Gato, Guaracy, Quinho, 1997 – 7º lugar), além de outras escolas, como Estácio de Sá (1990), Tradição (de 2000 a 2003), Unidos da Tijuca (1998), Unidos do Cabuçu (1987, 1988). Finalmente Adalto Magalha se viu recompensado ao lançar, em 2005, o seu primeiro CD solo Samba de Tradição, onde o indiscutível talento de compositor e intérprete encontra-se registrado em faixas como Na Hora de Voltar (parceria com Adilson Gavião), Perfume de Champagne (com Almir Guineto), Tá Frio Lá Fora (com Fred Camacho), seu já citado grande sucesso, Rendição (com Almir Guineto e Capri), Passe Bem (com Luverci Ernesto), entre outras pérolas.

Cabe ainda apontar como intérpretes de sua obra: Dorina (Azul do Meu Céu, com Almir Guineto, 2003), Eliane Faria (Banho de Felicidade, com Wilson Moreira, 2003), Diogo Nogueira (Tô Te Querendo,com Almir Guineto e Xande de Pilares, 2009), Zeca Pagodinho (Pela Casa Inteira, com Almir Guineto e Fred Camacho, 2010).A foto (de 2010), mostra o salgueirense Adalto Magalha participando do 1º Pagode dos Poetas, na quadra da escola. Já em 2014, novo disco na praça Não Vivo Sem O Samba (produção independente), apresentou um repertório renovado, como a faixa título (de Julio Alves e Carlos Jr.) participação de Dudu Nobre, Pobre Sonhador com o parceiro Arlindo Cruz, Dama da Estudantina (coautoria de Almir Guineto e Cizinho), Calor da Boêmia (Almir Guineto, Julio Alves) presença de Guineto. Um grande lançamento de quem entende tudo de samba, com muito ritmo e alegria, falando de amor, de felicidade, que tanto sonhamos, gostamos e precisamos.

Inesperadamente, durante a alegria dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o samba carioca ficou triste com o falecimento causado por infarto do festejado compositor. Adalto Magalha realizava aplaudidos shows por todo o Brasil, sempre a renovar criatividade, versatilidade e poesia em sua expressiva obra. Uma grande perda consolada pela emoção de se ouvir os ótimos discos e apresentações em vídeos.


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