MÁRIO PINHEIRO
(Campos dos Goytacazes /RJ, 1880 – Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1923)

            Pouco se sabe de sua infância. Segundo o cantor Paraguassu (Roque Ricciardi, 1890 - 1876), em informações colhidas pelo saudoso Ary Vasconcellos (Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque – Livraria Sant’Anna/RJ, 1977), o garoto Mário (filho de uma enfermeira cearense), teria fugido de casa, vindo para o Rio de Janeiro. Após infeliz estreia em um circo no bairro da Piedade, fez sucesso ao se apresentar com sua voz de barítono no Passeio Público.

A partir de 1904, foi contratado por Fred Figner, quando gravou em grande quantidade para a Casa Edison, discos Odeon, como: modinhas Ave Maria (Fagundes Varela), Meu Lar (Casimiro de Abreu), O Que Tu És (Catulo da Paixão Cearense, Anacleto de Medeiros), Rouxinol E Colibri (Catulo, Ernesto Nazareth), Sentimento Oculto (Catulo, Anacleto de Medeiros), Teu Nome (Catulo, Artur Camilo), Um Dia Louco (Catulo); as valsas Ai Maria (Eduardo Di Capua, Vicenzo Russo), Albertina (Catulo, João de Almeida); o xote Nair (Eduardo das Neves); os lundus Chiquinha (Catulo), O Crioulo (Eduardo das Neves); as canções A Abelha E A Flor (Catulo, W. H. Penn), Amor E Medo (Casimiro de Abreu), Borboleta (Catulo), Canção do Índio (Carlos Gomes), Invocação À Estrela (Catulo, Guilherme Cantalice), Lua Nova (Catulo, Ernesto Nazareth), Nossa Choupana (Catulo), O Beijo (Catulo, Fonseca Costa), O Fadário (Catulo, Anacleto de Medeiros); Sonho de Flores (Catulo, Joventino Rosas), Vem Anjo (Catulo, Anacleto de Medeiros); cançonetas Benzinho (Catulo, Anacleto de Medeiros), Como É Bela (Eduardo Di Capua, Vicenzo Russo), e outros.

Em 14 de julho de 1909, participou do espetáculo de inauguração do Teatro Municipal, atuando na ópera Moema, de Delgado de Carvalho. Em seguida, viajou para os Estados Unidos, onde gravou inúmeros discos pelo selo Victor. Depois, seguiu para a Itália a fim de aperfeiçoar sua voz. Retornou ao Brasil em 1917, casado com uma harpista do Teatro Scala de Milão. Recomeçou a gravar na Odeon, e em 12 de setembro de 1918, participou no Teatro São Pedro (onde hoje se encontra o Teatro João Caetano) de uma noite em homenagem ao seu principal letrista Catulo da Paixão Cearense.

Nos anos 20, com o aparecimento de novos cantores, separado de sua mulher, começa agravar sua situação financeira. Considerado o maior cantor popular da primeira década do século, faleceu na mais completa miséria, internado na Casa de Saúde Afonso Dias, no Rio Comprido. Em 1977, pelo selo Coronado/EMI-Odeon, foi lançado o importante LP Os Pioneiros – Vol. 3 – Mário Pinheiro – Série Monumento da Música Popular Brasileira, gravações realizadas em 78 rpm, ainda na fase mecânica, entre os anos 1904 e 1920, como: as modinhas A Casa Branca da Serra (Guimarães Passos, Miguel Emídio Pestana), Fechei O Meu Jardim (Catulo da Paixão Cearense), e a barcarola O Gondoleiro do Amor (Castro Alves, Salvador Fábregas).

Em 2003, outro registro do seu repertório encontra-se no CD História da Odeon: 1902/1920 (selo EMI) incluindo a modinha Talento E Formosura (Catulo da Paixão Cearense, Edmundo Octávio Ferreira) e Casinha Pequenina (Tradicional).


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