EDUARDO DAS NEVES
(Rio de Janeiro, 1874 – 11 de novembro de 1919)

            Bombeiro e operário da Central do Brasil, Eduardo Sebastião das Neves foi sobretudo poeta, compositor, cantor e bastante popular no início do século 20. Em 1895, engajou-se como soldado do Corpo de Bombeiros Militar, sendo excluído por frequentar fardado rodas boemias. Em seguida, trabalhou como guarda-freio da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, demitido por ter participado de uma greve. Passou a se apresentar como cançonetista em circos e pavilhões, sempre muito aplaudido. Ganhou fama por vários estados brasileiros, ao exibir elegância de smoking azul e chapéu alto, no dedilhar do pinho, com sua voz possante: sou o crioulo Dudu das Neves...

Em 1900, teve sua primeira coletânea de versos O Cantor de Modinhas, publicada pela Livraria Quaresma. Com o mesmo editor, seguiram-se: Trovador de Malandragem (1902) e Mistérios do Violão (1905). Com extenso repertório, foi um dos pioneiros a gravar pela Casa Edison, incluindo de sua autoria, entre 1904 e 1912: os lundus Caipira Paulista, Choro de Arrelia, E Eu Nada?, Pai João, as canções Moreninha, O Aquidaban, a modinha Meu Segredo, o fado O Casamento de Aninha, entre tantas outras de autores desconhecidos. Cabe também citar (a partir de 1913, selo Odeon), as músicas assinadas por Catulo da Paixão Cearense: o xote Os Olhos Dela (com Irineu de Almeida), o lundu O Corcunda, a canção A Choça do Monte, as modinhas Amenidade, Eulina a filha transviada. Seus últimos registros foram para o carnaval de 1919, com os sambas Confessa Meu Bem e Deixe Deste Costume (ambos de Sinhô), em selo Odeon.

Ao falecer, deixou o filho Cândido das Neves “Índio”, excelente compositor, como seguidor de sua obra. Eduardo das Neves foi também contemplado com o histórico LP Os Pioneiros – vol. 4: (Coronado, EMI-Odeon, 1977), com 14 faixas realizadas em 78 rpm ainda na fase mecânica, destacando o famoso Isto É Bom (Xisto Bahia), Oh! Minas Gerais (tradicional, adaptação da canção napolitana Vieni Sul Mar). Em 2003, outro importante lançamento História da Odeon: 1902/1920 (selo EMI) incluiu do seu repertório: o batuque Cabôca do Caxangá (Catulo da Paixão Cearense) com participação de Baiano e Júlia Martins, a canção Luar do Sertão (João Pernambuco, Catulo da Paixão Cearense) e a cantiga nortista O Meu Boi Morreu (autor desconhecido) com Baiano e coro.


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