CANHOTO
(São Paulo, 12 de fevereiro de 1889 – 7 de setembro de 1928)

            Filho do casal de imigrantes napolitanos Crescencio Giacomino e D. Vicencia, o garoto Gargiulo Giacomino, criado na Rua do Carmo (no centro antigo da cidade), aprendeu a ler e a escrever com o pai. Ainda menino, foi atraído pelo violão bem manejado do irmão mais velho Ernesto. Sendo canhoto, começou a tocar, sem inverter as cordas, o que lhe valeu o apelido artístico. Aos 16 anos de idade, participou de suas primeiras serenatas e, em 1907, passou a tocar junto com o irmão Glicério (flauta) e Zezinho (o futuro Zé Carioca, no cavaquinho) em bares e modestos restaurantes de São Paulo.

Ao conhecer o cantor Roque Ricciardi (mais tarde, célebre com o nome de Paraguaçu), começou a lhe acompanhar por vários cinemas, tornando-se bastante conhecido por volta de 1912. No ano seguinte, já batizado como Américo Jacomino, gravou suas primeiras composições em selo Phoenix, como as valsas Saudades de Minha Aurora e Belo Horizonte e, em 1914 (etiqueta Odeon), a polca Pisando Na Mala, e a mazurca Devaneio. Em 1917, com o Grupo do Canhoto (incluindo trombone ou flauta, clarineta, e seu próprio violão), lançou a valsa Amores Na Praia, o xote Depois do Beijo, e como solista, as valsas Beijo e Lágrimas e Acordes do Violão (mais tarde, sua obra-prima, com novo título Abismo de Rosas), todas novamente pelas Odeon.

Em 1922, ao se apresentar em recital na cidade paulista de Itapetininga, conhece a jovem Maria Rita Vieira de Morais, com que se casou, mudando-se para São Carlos, onde se tornou comerciante de instrumentos musicais. De volta a São Paulo, em 1925, inaugurou com Paraguaçu a Sociedade Rádio Educadora Paulista, atual Rádio Gazeta. Em 1927, participou do concurso O Que É Nosso, patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, ocorrido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro. Executando suas peças Marcha Triunfal Brasileira (composta por ocasião da Primeira Guerra Mundial, que expressa o entusiasmo do nosso povo pelas vitórias das forças aliadas, foi gravada somente em 1925), Viola Minha Viola e Abismo de Rosas, recebeu o título de Rei do Violão Brasileiro. No ano seguinte, retornou ao Rio para gravar diversas composições na Odeon, quando se sentiu mal, com problemas no coração, sendo atendido pelo amigo compositor Dr. Joubert de Carvalho (que lhe dedicara a canção Os Teus Olhos, lançada em maio).

Com o agravamento do seu estado de saúde, veio a falecer, prematuramente, no hospital Santa Catarina, na avenida paulista, ao amanhecer do dia 7 de setembro. Por ocasião do 50º aniversário de sua morte, a etiqueta Continental lançou o LP Homenagem a Américo Jacomino (1978), com a participação de importantes solistas de sua obra como Paulinho Nogueira (Brasilerita), Antônio Rago(Olhos Feiticeiros), Dilermando Reis (Amor de Argentina), além do próprio filho Luis Américo Jacomino (Abismo de Rosas).Entre outros notáveis intérpretes, pode-se citar: Baden Powell, Marco Pereira, Raphael Rabello, Sebastião Tapajós, Toquinho.

Em 1982, a série Os Grandes Solistas, Vol. 2 (selo Seta) contemplou o saudoso Canhoto, revendo peças autorais como o choro Niterói, e as valsas Pensamento, Delírios. Em 2006, foi editado o precioso CD duplo Canhoto – Américo Jacomino: violão imortal (selo Revivendo), abrangendo todo o período que participou de gravações, de 1913 a 1928, desfilando toda sua técnica particular de execução, quer em obras de sua autoria ou do repertório alheio, como o tango Madrugando, o choro Tico-Tico No Farelo ou a fantasia Guarani (de Carlos Gomes). Com o lançamento do Songbook Sucessos de Canhoto: Abismo de Rosas e outros (Irmãos Vitale, 2014), apresentou-se vários textos sobre a vida, obra e além de 14 partituras do notável compositor, que muito contribuiu para formação de novas gerações amantes do violão, sempre entusiastas de suas interpretações.


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