CADETE
(Ingazeiro/PE, 3 de maio de 1874 – Tibagi/PR, 25 de julho de 1960)

            Com três anos de idade, Manoel Evêncio da Costa Moreira mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, matriculando-se mais tarde na Escola Militar, daí a alcunha de Cadete. De temperamento boêmio e seresteiro, logo trocou a farda pelo ambiente musical da época, sem dispensar, contudo, uma medalha oferecida pelo imperador Dom Pedro II, como único aluno que respondeu a uma pergunta sobre o valor do grama.

Em 1895, conheceu o violonista Sátiro Bilhar, tornando-se amigo do compositor Catulo da Paixão Cearense (futuro padrinho de um dos seus filhos), e de outros notáveis como Anacleto de Medeiros, Mário Pinheiro, Ernesto Nazareth, etc. Descoberto por Fred Figner, proprietário da Casa Edison, que o convidou para gravar os primeiros cilindros e chapas pequenas e grandes (discos) comerciais, feitos no Brasil, em selo Zonophone (1902/1903). Entre os discos, encontram-se: modinhas, assinadas por Catulo da Paixão Cearense, A Borboleta e Gosto de Ti (essa com Sátiro Bilhar), Rosa do Sertão (Frederico Junior).

Em 1906, viajou pelos estados do Maranhão, Ceará, Pará, Acre e Amazonas, onde contraiu beribéri, transferindo-se no ano seguinte, a conselho médico, para a cidade de Tibagi, no interior paranaense. Entretanto, continuou a gravar (já pelo selo Odeon), salientando-se: a modinha Serenata (Catulo da Paixão Cearense, Salvador Fábregas, 1908), os desafios, em dueto com Baiano (Desafio, Caixeiro E Patrão) e a modinha Casa Branca da Serra (Guimarães Passos, Miguel Pestana) essas em 1911, a modinha Simples Desejo (Manoel Ferreira “Neco”), os lundus Geografia Poética, Menina Diz A Teu Pai, O Vaidoso, e as modinhas Amor Desfeito, Desânimo de Um Coração (todos de sua autoria), datadas de 1912. Retrocedendo a 1908, morando em Campina Alta, distrito de Tibagi, por lá se casou e teve vários filhos. Fez curso de farmacêutico, diplomando-se como Prático, em 1932, quando retornou definitivamente para Tibagi. Tornou-se proprietário da Farmácia Nossa Senhora de Lourdes (onde passou a receitar, estudando muito, pela falta de médico na região), continuou a fazer serestas com sua voz possante e melodiosa ecoando até a Praça da Matriz. Devido à sua popularidade, organizou o primeiro desfile carnavalesco da cidade (incluindo carros alegóricos puxados por cavalos), nos idos anos 1910. Dedicou-se também à política, sendo aleito vereador da Câmara Municipal.

Em 1942, foi ao Rio de Janeiro, pela última vez, quando cantou na Rádio Nacional. Com seu falecimento, em 1960, as noites de Tibagi ganharam uma estrela seresteira que brilha, sempre a iluminar um novo cantor e o violão. Em 1977, foi editado o precioso LP Os Pioneiros – Vol. 5 – Cadete – Série Monumento da Música Popular Brasileira (selo Coronado/EMI-Odeon), incluindo gravações realizadas em 78 rpm, ainda na fase mecânica, entre os anos 1904 e 1912, como: Trovas de Um Coração (Salvador Fábregas, K. Melo), Escuta, Caiu do Céu Um Estrela, O Beijo (essas de autores desconhecidos).


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