K-XIMBINHO
(Taipu/RN, 20 de janeiro de 1907 – Rio de Janeiro, 26 de junho de 1980)

            Desde criança, Sebastião Barros se interessou por música. Ao frequentar os ensaios da banda local, logo começou os estudos de clarineta e solfejo. Mudou-se com a família para Natal, e chegou a participar com uma requinta (pequena clarineta) de um conjunto de estudantes secundários, o “Pan Jazz”, além de tocar saxofone integrando a banda, durante o serviço militar. Em 1938, em João Pessoa, ingressou na Orquestra Tabajara (já dirigida por Severino Araújo), onde permaneceu até 1942, quando se transferiu para o Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, passou a atuar na orquestra do maestro Fon Fon, da gravadora Odeon.

Em 1945, após várias apresentações no boate Night and Day, retornou como primeiro saxofonista à Orquestra Tabajara, já contratada da Rádio Tupi. Suas primeiras composições lançadas datam de 1946/48 (em selo Continental): os choros Sonhando e Sonoroso (coautorias de Del Loro) com Severino Araújo e na voz de Ademilde Fonseca, respectivamente, que se tornaram peças marcantes desse fascinante gênero musical. Na década de 50, gravou alguns 78 rpm autorais (selo Continental): os choros Perplexo e Tudo Passa (1953), o maxixe Começou O Baile, o baião Baião Potiguar e o choro Um Clarineta A Jato (esses em 1954), e o choro Gilka (1955). Com o seu conjunto, K-Ximbinho lançou, em 1956, o notável LP Ritmos e Melodia (selo Odeon), onde já se notava a sua inusitada e ousada (para a época) junção do choro com o jazz em faixas nacionais como Jura (Sinhô), Murmurando (Fon Fon), ou americanas como Unchained Melody (Alex North, Hy Zaret), Love Me Or Leave Me (Walter Donaldson, Gus Kahn). Ao trabalhar como arranjador da gravadora Polydor lançou, em 1958, dois antológicos álbuns: Em Ritmo de Dança, Vol. III – Quinteto de K-Ximbinho, incluindo leituras inovadoras para os clássicos Lá Vem A Baiana (Dorival Caymmi), Por Causa de Você (Tom Jobim, Dolores Duran), as autorais Teleguiado, Penumbra;e O Samba de Cartola: K-Ximbinho e seu conjunto, com a mesma receita: Agora É Cinza (Bide, Marçal), A Voz do Morro (Zé Ketti), Se Você Jurar (Ismael Silva, Nílton Bastos, Francisco Alves), Falsa Baiana (Geraldo Pereira), e a presença de grandes músicos como Pedro Vidal (contrabaixo), Aderbal Moreira (sax-barítono), Paulinho Magalhães (bateria), Meirelles (flauta), entre outros.

Novo lançamento pela Polydor ocorreu no ano seguinte, com o álbum K-Ximbinho e seus “play-boys” musicais, de repertório internacional, em uma profusão de ritmos: De Corazon A Corazon (Gabriel Ruiz, Ricardo Lopes Mendez), Eu Quero É Sossego (K-Ximbinho), Chega de Saudade (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), A Woman In Love (Frank Loesser). Em 1964, integrou o Conjunto 7 de Ouros, composto por feras da música instrumental como Cipó (sax tenor), Ed Maciel (trombone),Julinho Barbosa (pistom), Papão (bateria), com a gravação do LP Impacto! (selo Polydor), destacando-se, entre outras preciosidades: O Amor Que Acabou (Chico Feitosa, Luis Fernando Freire), O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), Vagamente (Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli) e de sua autoria Serenata Africana.

Em 1978, K-Ximbinho venceu o II Festival Nacional de Choro da TV Bandeirantes, ao interpretar no clarinete a peça Manda Brasa, com a participação do Regional Rio Antigo, e editada no ano seguinte no LP O Fino do Choro (selo Clack/Bandeirantes), com as 12 melhores músicas do festival. Seu último e expressivo disco K-Ximbinho: Saudades de um Clarinete (selo Eldorado, 1981), lançado postumamente, no qual realizou os arranjos, regência e solos de clarinete, incluiu o talento de músicos como Neco (cavaquinho), Raphael Rabello (violão 7 cordas), Jorginho (pandeiro), em faixas todas autorais, como: Tô Sempre Aí, Velhos Companheiros, Ternura, Catita. Do termo cachimbo, designação brasileira afetiva para o saxofone, criou o seu nome artístico K-Ximbinho, compositor e instrumentista excepcional, criativo, renovador de acordo com a época, mestre do improviso, deixou sua marca como um dos mais importantes compositores do choro de todos os tempos.

Em 2002, o selo Rob Digital editou o CD Paulo Moura: K-Ximblues, gravado ao vivo no Teatro Leblon em 1999, com direção musical e arranjos de Paulo Moura, participações de Mauricio Einhorn (gaita), Nelson Faria (violão) e Tony Botelho (contrabaixo). Entre pérolas de K-Ximbinho, garimpamos: Sempre, Auto Plágio, Just Walking, K-Ximbodega.

Por iniciativa do projeto Nação Potiguar (idealizado por Dácio Galvão, com vários registros sonoros sobre a cultura popular do RN), foram lançados em 2009, os importantes CDs K-Ximbinho Duetos Sanfonado, que apresentam de forma inédita releituras do mestre, por exímios instrumentistas como Carlos Malta (sopros), Ulisses Rocha (violão), Teco Cardoso (sax) e Sivuca (sanfona), Renato Borghetti (gaita de fole), além de depoimento histórico do homenageado. A sua arte inconteste continua a produzir seguidores como no brilhante e sofisticado álbum Nailor Proveta: Velhos Companheiros de K-Ximbinho (Maritaca, 2015) no qual o grupo composto por Carlos Roberto (piano), Edmilson Capelupi (piano), Léa Freire (flauta), entre outros, sob o comando do Nailor (sax e clarinete) oferece releituras do já citado álbum Saudades de um Clarinete


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