LUIZ BARBOSA (Macaé, 7 de julho de 1910 – Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1938)

            Nascido de uma família atuante no Rádio, como seus irmãos mais velhos Barbosa Júnior (ator, humorista e cantor), Paulo Barbosa (compositor e pianista), o jovem Luiz dos Santos Barbosa não poderia trilhar outro caminho que não fosse o artístico, estreando como cantor em 1931 no Esplêndido Programa de Valdo de Abreu, na Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, gravou seus 78 rpm iniciais (selo Odeon), entre eles os sambas Recordar É Viver (de sua autoria) e Fome Não É Pagode (Getúlio Marinho).

Em 1932, foi o intérprete do primeiro jingle comercial (criado pelo compositor Nássara), apresentado ao vivo na estreia do Programa Casé da Rádio Philips do Brasil. O seu estilo carioquíssimo despertou atenção, com um balanço novo, sincopado, acompanhamento batucado do seu chapéu de palha e introduzindo toques de humorismo em suas apresentações. Como exemplos, vale citar gravações de 1933, como: o samba autoral Sou Jogador (...Eu sou do jogo/ porque sou da malandragem/ o malandro quando joga/ nunca leva desvantagem...) em selo Odeon, e de Noel Rosa os sambas Contraste (duo com Almirante), Seja Breve (duo com João Petra de Barros), e também autoral O Que Eu Sinto Por Você (...E de uma mulher assim (que bão)/ eu tenho necessidade/ que saiba gostar de mim/ (só de mim, só de mim)/ com toda a sinceridade/ (oi mulher, mulher, mulher), esses em selo Victor.

Em 1935, participou do filme Alô Alô Carnaval, de Adhemar Gonzaga, o mais famoso musical brasileiro, onde interpretouo samba Seu Libório (João de Barro Alberto Ribeiro). No ano seguinte, cabe destacar o clássico No Tabuleiro da Baiana (Ary Barroso) ao lado de Carmen Miranda (Odeon), e pela etiqueta Victor: as marchinhas, ambas temperadas da malícia gostosa da época, Oh Oh Não! (Antônio Almeida, A. Godinho): ...você de noite e de dia/ não arreda o pé da galeria/ e chega em casa/ você diz que fez serão/oh oh não!...  e Você Pensa Que Eu Não Vi (Roberto Martins, Hervê Cordovil): ...você troca a noite pelo dia/ ninguém sabe a sua moradia/ você é uma pequena encrencada/ não digo mais nada, não digo mais nada..., os sambas Se Essa Rua Fosse Minha  (Roberto Martins, Mário Lago), Quem Nunca Comeu Melado (parceria com Jorge Murad), Bebida Mulher Orgia (Luis Pimentel, Anis Murad, Manoel Rabaça).

Em 1937, são gravados (ainda em selo Victor), entre outros, a marcha Eu Peço E Você Não Dá  (Antônio Almeida, Nássara) e sambas notáveis como Lalá e Lelé (Jaime Brito, Manezinho Araújo), Risoleta (Raul Marques, Moacir Bernardino), Perdi A Confiança (Ataulfo Alves, Rubens Soares), Já Paguei Os Meus Pecados (Germano Augusto, Leonel Azevedo). Boêmio notório, companheiro de Noel Rosa, Antônio Nássara, entre outros, morador de Vila Isabel, faleceu prematuramente de tuberculose, e deu nome de rua ao famoso bairro de tantos bambas. Cantor refinado, de improvisos na bossa e no breque, fez do seu chapéu um acompanhamento percussivo, situando-o entre o pandeiro e o tamborim, deixou seguidores como as duplas Joel e Gaúcho, Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro, todos também já imortalizados na história da nossa música popular.


© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha