COPINHA
(São Paulo, 3 de março de 1910 – Rio de Janeiro, 4 de março de 1984)

            Filho de italianos, Nicolino Cópia e seus oito irmãos ganharam um DNA musical, que nortearam suas vidas. Ainda garoto, aprendeu a tocar flauta com Vicente, o mano mais velho. Estudou no antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde adquiriu conhecimentos teóricos e eruditos, além de dominar o clarinete e o saxofone. Em 1924, começou profissionalmente ao fazer o fundo musical para filmes mudos, em cinemas da cidade.

Nos início dos anos 30, passou a se apresentar em programas de Rádio e nas orquestras dos Irmãos Cópia e do maestro Gaó. Com este, em 1936, mudou-se para o Rio (indo tocar na Rádio Ipanema) e, depois, ao lado de Pixinguinha no “dancing” Eldorado. Na década de 40, atuou na orquestra de Carlos Machado (Cassino da Urca), criou seu próprio conjunto, e ingressou na gravadora Continental, onde acompanhou cantores como Déo, Ivon Curi, Jorge Goulart, Lúcio Alves, Sílvio Caldas, entre outros. .

Suas primeiras gravações, (datadas de 1952/53), foram em 78 rpm (selo Continental), com as faixas Baião de Cabo Verde (parceria, Edu da Gaita) e Choro Perpétuo (Paganini, adapt. César Siqueira) e Juras de Amor (parcerias, Gloz e Edy) e Corruíra Saltitante (Lina Pesce). Em 1956, foi lançado o LP Cópia e seu conjunto: dançando no Copacabana Palace (selo Odeon), de repertório em vários ritmos, como: o samba Abre a Janela (Arlindo Marques Júnior, Roberto Roberti), o fado Lisboa Antiga (José Galhardo, Raul Portela, Amadeu do Vale), o clássico americano Something’s Gotta Give (Johnny Mercer), o autoral Mambo Brasileiro (com Ferreira Gomes). Em 1958, dois excepcionais músicos apresentaram os seus conjuntos no LP Meia Noite no Meia Noite: Moacyr Silva e Cópia (selo Todamérica), com destaque para o segundo citado: Unforgettable (Irving Gordon), Pé no Jacá (Hélio Marinho). Cabe também citar os LPs promovidos pelo selo Festa (1959), para Cópia e seu Conjunto: Prelúdio de Amor e Eu Te Amo.

A década de 60 registrou o lançamento do LP Copinha e seu conjunto interpretam os sucessos de Pixinguinha (selo Philips, 1961), arranjos do homenageado e parcerias com Benedito Lacerda (Um a Zero, Sofres Porque Queres), João de Barro (Carinhoso), entre outras pérolas. Devido ao alto custo para se manter grupos orquestrais, graças ao seu talento e versatilidade, o flautista tornou-se presença constante em discos de uma nova geração de cantores e compositores, que incluía Beth Carvalho, Edu Lobo, Elton Medeiros, Marcos Valle, Paulinho da Viola. Em 1966, participou do histórico Os Afro-Sambas de Baden e Vinícius (selo Forma), ao lado da famosa dupla e do Quarteto em Cy.

Em comemoração aos 50 anos de carreira artística, foi editado o LP Copinha: Jubileu de Ouro (Som Livre, 1975/1999), um desfile de músicas representativas do repertório do mestre: Saia do Caminho (Custódio Mesquita, Evaldo Ruy), Primeiro Amor (Patápio Silva), as autorais Reconciliação, Lambada, e muito mais. Em 1977, participou do raro LP (duplo) Choro na Praça (selo WEA), gravado ao vivo no Teatro João Caetano/RJ, ao lado de outros notáveis instrumentistas, como Abel Ferreira (clarineta), Joel Nascimento (bandolim), Paulo Moura (sax), Waldir Azevedo (cavaquinho), Zé da Velha (trombone). Deve-se citar, entre outras peças: Sonoroso (K-Ximbinho, Del Loro), Leninha (Codó), O Amolador e Margarida (ambas de Copinha). Outra preciosidade ocorreu em 1979, quando o Museu da Imagem e do Som (MIS) gravou o LP Bonfiglio de Oliveira interpretado por Copinha e seu Conjunto: os choros Flamengo, Saudades de Guará e a valsa Glória, entre doze composições admiráveis.

Em 1981, sob a regência dos mestres Copinha e Radamés Gnattali (com participação especial), o selo CBS incluiu em seu catálogo o apaixonante LP Copinha: amando sempre: além da faixa título, é preciso mencionar Será Que É Isso, Saudade (de Carolina), e Remexendo (Radamés Gnattali).

Como compositor, arranjador, flautista (seu instrumento predileto), o versátil Copinha, de técnica apurada, a limpeza do som, extremamente criativo, foi sempre respeitado por músicos como Hermeto Pascoal, Tom Jobim, João Gilberto (antológico duo de flauta e violão na abertura do histórico Chega de Saudade, em 1974).

Faleceu um dia após completar 74 anos, em pleno domingo de carnaval. No velório, poucas pessoas e o amigo Paulinho da Viola. Nas ruas, o povo cantava e sambava.

© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha