ORLANN DIVO (Itajaí/SC, 5 de agosto de 1937 - Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 2017)

            Interessado por gaita de boca desde criança, Orlandivo Honório de Souza e sua família chegaram no Rio de Janeiro ainda nos anos 40, indo residir na zona portuária da cidade, já que o pai era funcionário da Marinha Mercante. Com a separação do casal, passou a morar com a mãe em quarto de hotel no Campo do Santana, e aos 13 anos de idade, foi trabalhar como baleiro nos antigos cinemas “poeira” da Lapa e adjacências.

Ao conhecer o futuro humorista Paulo Silvino (ainda sob o nome de Silvino Júnior), tornaram-se amigos e parceiros no LP Nova Geração em Ritmo de Samba (selo Copacabana, 1960), com as músicas Cinderela em 3-D e A Fábula Que Educa (essa em coautoria de Eumir Deodato). No mesmo ano, teve suas primeiras composições solo gravadas, Sei É Ruim e Gilda,pelos Golden Boys, quarteto da Jovem Guarda (selo Copacabana). Nessa época, descobriu a Zona Sul e seu parceiro mais constante Roberto Jorge, se apresentando informalmente às portas das boates dançantes Drink (Djalma Ferreira) e Arpége (Waldir Calmon), que influenciaram na sua carreira.

No ano seguinte, lançou um compacto duplo (selo Musidisc), com as autorais Vem Pro Samba, Amor Vai E Vem, e Samba Toff, Dias de Verão (com Roberto Jorge),que deram origem ao LP Orlandivo: A Chave do Sucesso (Musidisc, 1962), um marco em sua carreira, com o “molho de chaves” atuando em improvisos na marcação de um samba, além de notáveis arranjos do mestre Ed Lincoln. Cabe também citar, Chavinha (com Roberto Jorge) e o clássico Jura (Sinhô), entre outras. Em seguida, foi lançado o álbum Orlandivo (Musidisc, 1963), no qual acompanhado de Ed Lincoln (órgão), Watel Branco (violão), sempre com muito balanço, interpretou pérolas como: Zezinho, Afim de Você, Saudade Em Seu Lugar (parcerias com Roberto Jorge), Brincando de Samba (com Celso Murilo).

O ritmo peculiar e envolvente de Orlandivo continuou em alta com a edição de Samba Em Paralelo (Musidisc, 1965),  ao apresentar as autorais Paralelo (com Roberto Jorge), Beleza Não Vai Embora (com Durval Ferreira), e do repertórioalheio Desfolhando A Margarida (Haroldo Barbosa, Luis Reis), Deixa A Nega Gingar (Luis Cláudio de Castro), citando apenas algumas faixas. Em 1968, participou como vocal do dançante LP Ed Lincoln (Savoya Disco), além de ter incluídas várias músicas de sua autoria: Waldemar, Se Correr O Bicho Pega (essas com Devel), e outras. Após trabalhar alguns anos na produção de discos e vinhetas para diversas Rádios, retornou ao mercado em grande estilo com o álbum Orlandivo (Copacabana, 1977), onde garimpamos nas 12 faixas: Tudo Joia (com Durval Ferreira), Tamanco No Samba (com Helton Menezes), Palladium (com Ed Lincoln), o clássico A Felicidade (Tom Jobim, Vinicius de Moraes) e seu megassucesso Bolinha de Sabão (com Adilson Azevedo), além de contar com a presença de notáveis músicos como João Donato (arranjos e teclados), Durval Ferreira (guitarra, violão), Sivuca (acordeom), Copinha (flauta), Chico Batera, entre outras “feras”. Nas décadas de 1980/90, com sua banda Ipanema Dance, passou a tocar quase toda a semana em vários locais, principalmente em clubes do Rio.

Em 2004, participou de memorável show no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), produzido pelo músico e compositor Henrique Cazes, ao lado de Doris Monteiro, Miltinho, Claudette Soares e Ed Lincoln. No ano seguinte, lançou o CD Orlandivo: Sambaflex (selo Deckdisc), onde além de algumas ótimas releituras, apresentou inéditas em seu expressivo repertório, como: Sambaflex (parceria com Beto Cazes), Boogie Woogie Na Favela (Denis Brean), Mundos E Fundos (com Roberto Jorge), Doralice (Dorival Caymmi), Rosa Morena (Dorival Caymmi). Em 2011, o incansável Orlandivo se apresentou no Centro de Referência da Música Carioca na Tijuca, acompanhado dos músicos Jean Charnaux (guitarra), Haroldo Cazes (contrabaixo), Rubinho Moreira (bateria), Cesar Ferreira (violão), com interpretações primorosas da onipresente Bolinha de Sabão (com Adilson Azevedo), Hô-ba-la-lá (João Gilberto), e Miss Balanço (com Helton Menezes), Falaram Tanto de Você, essasem duo com a jovem e talentosa cantora Amanda Bravo (filha do saudoso parceiro Durval Ferreira). Misturando samba e bossa nova, com o ritmo na dosagem certa, Orlandivo, cantor de voz anasalada, se tornou o Rei do Sambalanço, levando a sua música dançante para a Europa, principalmente nas discotecas londrinas.

Ao falecer, meses antes de completar 80 anos de vida, quando planejava novo CD de inéditas com João Donato, encerrou mais uma página brilhante na história da nossa música popular.


© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha