ALMIR SATER
(Campo Grande/MS, 14 de novembro de 1956)

            Desde pequeno, gostava do som de viola, que o levou a estudar e tocar violão, e se apresentar com 12 anos de idade na Rádio Cultural de Campo Grande. Em 1976, ao ir para o Rio de Janeiro, Almir Eduardo Melke Sater foi cursar Direito na Faculdade Cândido Mendes. Tendo encontrado dois violeiros mineiros tocando no Largo do Machado, sentiu entusiasmado que na música estava o seu destino. Largou a faculdade e voltou para sua cidade, formando a dupla Lupe e Lampião.

Em 1978, se inscreveram no Festival Sertanejo da TV Record, emSão Paulo, conquistando um 4º lugar. Nessa época, passou a morar na capital paulista, participou de grupo da conterrânea Tetê Espíndola e acompanhou a cantora baiana Diana Pequeno. Sem ter estudado música, influenciado no início pelo cantor sertanejo Tião Carreiro, começou a compor, gravou seu primeiro LP Almir Sater (selo Continental, 1981), com peças de sua autoria Flor do Amor, a instrumental No Quintal de Casa, e Velhos Amigos (do parceiro mais constante Paulo Simões), entre outras. No ano seguinte, pela gravadora RGE, lançou o álbum Almir Sater: Doma, que marcou vários sucessos como: Trem do Pantanal (Geraldo Roca, Paulo Simões), Galopada, Sonhos Guaranís (participação de Tetê Espíndola), Varandas (essas de Almir Sater, Paulo Simões). Em 1985, formou a Comitiva Esperança, que durante três meses percorreu o pantanal motogrossense, a pesquisar músicas e costumes da região, que originou o precioso LP Almir Sater: Instrumental (selo Som da Gente), com destaque para obras como Luzeiro (Almir Sater), Rio de Lágrimas (Tião Carreiro, Piraci, Lourival dos Santos), Na Piratininga de Jeep (Tavinho Moura), É de Minas Para Riba (Almir Sater, Zé Gomes, André Gomes). Em seguida, gravou o LP Almir Sater: Cria (selo 3M, 1986), de novas sonoridades, livre dos rótulos quanto ao seu estilo musical, confundido às vezes como essencialmente na linha caipira. Destaque para Razões (Almir Sater, Paulo Simões), Trem de Lata (Almir Sater, Renato Teixeira) e a releitura da já citada Rio de Lágrimas “Rio de Piracicaba”.

Em 1988, participou do Free Jazz Festival, com apresentações bastante variadas de brasileiros como Antônio Adolfo (piano), Raphael Rabello (violão), internacionais do naipe de Nina Simone (voz e piano), Stephane Grapelli (violino), entre tantas celebridades. Em 1989, continuou a mostrar sua versatilidade com o álbum Rasta Bonito (selo Continental), gravado em Nashville (Tennessee), importante centro da indústria discográfica americana, incluindo a faixa título, Um Violeiro Toca, Boiada (essas com Renato Teixeira), o clássico Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira), a “country” Tennessee Waltz (Pee Wee King, Redd Stewart). No ano seguinte, o CD Almir Sater: Instrumental Dois (selo Eldorado), evidenciou todo o seu talento de músico e compositor em faixas como: Moura (Tema para Pequeno Violão e Orquestra - Prêmio da Música Brasileira, em 1991), Segredo, e Beira Mar (tradicional do Vale do Jequitinhonha) em dueto com Tavinho Moura. Sater também foi vencedorcom a canção Tocando Em Frente (coautoria de Renato Teixeira), no álbum 25 anos, Maria Bethânia (selo Philips). Ainda em 1990, foram editadas duas coletâneas Almir Sater no Pantanal (Continental) e Varandas (RGE). Em 1991, surgiu nova compilação Almir Sater (selo Warner) e, no ano seguinte, o álbum Almir Sater Ao Vivo (Sony Music, 1992), onde cantou Cavaleiro da Lua (coautoria de João Bá), Moreninha Linda (Tonico, Priminho, Maninho), Chalana (Mário Zan, Arlindo Pinto).

Em 1994, assinou novas parcerias para o ótimo CD Terra de Sonhos (selo Velas), com os sempre constantes Paulo Simões (Vaso Quebrado, A Saudade É Uma Estrada Longa)e Renato Teixeira (Terra de Sonhos, Rasta do Adeus). Em 1996, a etiqueta Som Livre lançou o admirável CD Almir Sater: Caminhos Me Levem, com excelente repertório de clássicos populares como Viola Fora de Moda (Edu Lobo, Capinan), Cabecinha No Ombro (Paulo Borges), Sodade Matadeira (Dorival Caymmi), além de belíssimas faixas (coautorias de Paulo Simões), como a que dá nome ao disco e Pagode Bom de Briga. Na televisão, também atuou, ao lado de Sérgio Reis como a dupla sertaneja Pirilampo e Saracura, quando interpretaram canções como Boiadeiro Errante, O Rei do Gado (ambas de Teddy Vieira),na novela O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa(Rede Globo, 1996/97), e mais tarde em Bicho do Mato, de Bosco Brasil e Cristianne Fridman(Record, 2006/07).

Em 2006, voltou ao mercado fonográfico com o CD Almir Sater: 7 Sinais (selo Velas), assinando inéditas com Renato Teixeira (No Rastro da Lua Cheia, Horizontes), Paulo Simões (7 Sinais, Cubanita).Seu trabalho mais recente foi realizado a quatro mãos: Almir Sater & Renato Teixeira: AR (Universal Music, 2015), um fascinante desfilar de belas melodias, envolvidas com muita harmonia e competência: D de Destino (parceria com Paulo Simões), A Primeira Vez, A Flor Que A Gente Assopra e O Amor Tem Muitas Maneiras (essas de Renato Teixeira), Peixe Frito e Amor Leva Eu (Almir Sater). Com seu jeito peculiar de tocar a viola, sofisticado em toques, vibrantes ou intimistas, cantor entoado, repertório de qualidade, referências da cultura popular, de coisas da sua terra e de outras regiões, Almir Sater sempre nos emociona com o coração batendo forte.


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