ROBERTO LUNA (Serraria/PB, 1 de dezembro de 1929)

            Batizado como Valdemar Faria, fez os cursos primário e secundário em Campina Grande, onde ouvia o seu ídolo Orlando Silva através do serviço de alto-falantes da cidade. Em dezembro de 1944, embarcou de navio com a família para o Rio de Janeiro, indo morar em Nova Iguaçu, na baixada fluminense. Participou de alguns programas de calouros como do Renato Murce e Ary Barroso. Levado pelo compositor Assis Valente, foi trabalhar na companhia de revista do português Chianca de Garcia, como seu assistente.
No final da década de 40, passou a se apresentar como crooner em dancings e cabarés da Lapa e em boates da zona sul.

Depois de cantar em várias rádios cariocas: Mayrink Veiga, Clube do Brasil, Mauá e Nacional, onde recebeu o nome artístico de Roberto Luna (dado pelo locutor Afrânio Rodrigues), gravou seu primeiro 78 rpm (selo Star, 1952), ao interpretar o bolero Por Quanto Tempo (Marino Pinto, Don Al Bidi) e o samba canção Linda (Erasmo Silva, Ruy Rei).
A partir de 1957, deu início a uma série de sucessos, com o lançamento de um raro compacto duplo, em selo Odeon, com arranjos do maestro Luiz Arruda Paes: Molambo (Jaime Florence, Augusto Mesquita), Caminha (Evaldo Ruy, Rolando Candiano), Conselho (Denis Brean, Oswaldo Guilherme), Alucinação (Newton Teixeira, Macieira, Nascimento). No ano seguinte, foram editados os LPs: Roberto Luna: melômano (selo Odeon), um verdadeiro desfile de obras-primas: Por Causa de Você (Tom Jobim, Dolores Duran), Folha Morta (Ary Barroso), Último Desejo (Noel Rosa), Canção da Volta (Ismael Netto, Antônio Maria), e Luna Canta Para Você (selo RGE), destaque para seu maior sucesso Relógio “El Reloj” (Roberto Cantoral, versão de Nelly B. Brito), além de Serenata do Adeus (Vinicius de Moraes), Chovia (Edson Borges, Alfredo Borba), Castigo (Dolores Duran).
Com acompanhamento de Ruben Perez e orquestra RGE, em 1961, Roberto Luna gravou o álbum Quando Canta Um Coração, com canções de Lupicínio Rodrigues: Vingança, Castigo e Cadeira Vazia (ambas com Alcides Gonçalves), Ela Disse-me Assim, além de Sonho de Amor (Franz Liszt, adaptação Fred Jorge). No ano seguinte, foi editado Os Grandes Sucessos de Roberto Luna (RGE), regravações do seu repertório, como: Contigo (Claudio Estrada, versão de Júlio Nagib), Que Murmurem (Rubens Fuentes, Rafael Cardenas, versão de Giogia Jr.), Exemplo (Lupicínio Rodrigues), com orquestra e arranjos de Ruben Perez.
Além de gravar alguns LPs em Buenos Aires, lançou pelo selo Philips (1965) seu último trabalho O Luna Que Eu Gosto, entre outras: Tudo É Magnífico (Haroldo Barbosa, Luiz Reis), Encontro Com A Saudade (Billy Blanco, Nilo Queiroz), Prelúdio do Amor Sem Adeus (Romeo Nunes, Concessa Lacerda), Eu Não Sabia (Fernando César, Britinho).
No cinema, Roberto Luna participou do premiado filme O Bandido da Luz Vermelha (de Rogério Sganzerla, 1968), onde interpreta várias canções. Em 1977, ao comemorar 20 anos de sucesso, o selo RGE dedicou uma série de coletâneas para seus artistas mais expressivos, incluindo Roberto Luna, uma das mais belas vozes do nosso cancioneiro, com vários boleros famosos e canções apaixonadas. Nesta época, o cantor já se apresentava somente em boates (tendo sido proprietário da badalada Molambo no bairro da Consolação, ainda nos anos 60), dando vazão a sua imensa paixão pela música e pela noite, relembrando os seus tempos de contumaz seresteiro no Rio de Janeiro. Em 2016, continua a encantar com sua arte eterna, no tradicional e aconchegante Quintal Brazil, no bairro paulistano de Santana.

 


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