LUIZ CLÁUDIO
(Curvelo/MG, 22 de março de 1935 – Guaratinguetá/SP, 28 de agosto de 2013)

            Desde a infância, Luiz Cláudio de Castro se viu envolvido pelas artes plásticas e pela música. Por volta dos seis anos de idade começou a desenhar e, depois, ganhou de presente do pai um cavaquinho, que aprendeu a tocá-lo com um músico amador. Já adolescente, formou um trio vocal participando de festas e serenatas. Em seguida passou a cantar, e apresentava um programa musical nas noites de domingo, na Rádio Clube de Curvelo.
Em 1951, recebeu um convite da Rádio Inconfidência, em Belo Horizonte, para onde se mudou, continuou os estudos, compôs e cantou.

Logo gravou dois 78 rpm (selo Sinter), estreando no mercado fonográfico com: o samba canção Fim de Semana (Nilo Ramos, Rômulo Paes), o fox Primavera Em Setembro "September Song” (Kurt Weill, Maxwell Anderson, versão André Rosito) em 1952; o samba-canção Nosso Romance (Paulo Marques, Aylce Chaves) e a toada A Rua Onde Ela Mora (de sua autoria com Antônio Mauricio) em 1953.
No final de 1955, mudou-se para o Rio de Janeiro, assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga e lançou, em seguida, três LPs (selo Columbia) de temas românticos: Encontro Com Luiz Cláudio (1956), o bolero História de Um Amor (Carlos Almarán, versão de Edson Borges), o samba-canção Joga A Rede No Mar (Fernando César, Nazareno de Brito); Sonhando com Luiz Cláudio (1957), a valsa Quero-te Assim (Tito Madi), o fox O Meu Fingimento “The Great Pretender” (Buck Ram, versão de Haroldo Barbosa) e Bem Juntinhos (1959), o samba-canção Suas Mãos (Pernambuco, Antônio Maria), a valsa Olhe-me, Diga-me (Tito Madi).
Contratado pelo selo RCA Victor, o cantor prosseguiu com seu apurado repertório: Luiz Cláudio (1960), Menina Feia (Oscar Castro Neves, Luvercy Fiorini), Amor Sem Adeus (Luiz Bonfá, Tom Jobim) e O Romântico Luiz Cláudio (1961), Duas Contas (Garoto), Canção de Amor (Chocolate, Elano de Paula) entre outras.
No ano seguinte, entrou para a antiga Faculdade Nacional de Arquitetura, na Ilha do Fundão, e exerceu a carreira depois de formado como funcionário público. Pela gravadora Musidisc, lançou em 1966 o excelente álbum Luiz Cláudio Entre Nós, quando garimpou pérolas da nossa música popular: Tenha Pena de Mim (Cyro de Sousa, Babaú), Ai Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves, Mário Lago), as autorais Ouro Preto, Poeira da Saudade. Outro expressivo trabalho aconteceu em 1968 (selo Odeon): Luiz Cláudio: Intimidade, iniciado e concluído com a participação do Quinteto Villa-Lobos nas faixas No Brilho da Faca (Wagner Tiso, Novelli, Paulo Sérgio Valle) e Asa Branca (Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira), além de Pilão (de sua autoria), Rosa Maria (Aníbal Silva, Eden Silva).
Ao selecionar músicas de características mais regionais, Luiz Cláudio gravou o LP Cantigas (selo Odeon, 1973), no qual brilham Amo-te Muito (João Chaves) participação da cantora Luiza, Mucama (Gonçalves Crespo), O Galo Cantou Na Serra (Luiz Cláudio, versos Guimarães Rosa), mais adaptações do cantor para as tradicionais É a Ti Flor do Céu, Elvira Escuta. Em 1975, o selo Odeon editou o peculiar LP Reportagem, com entrevistas suas ao compositor sobre a música focalizada, como Sérgio Ricardo (Poema Azul), Caetano Veloso (Onde Eu Nasci Passa Um Rio).Em 1979, Luiz Cláudio apresentou o antológico álbum Viola de Bolso (Emi-Odeon), cuja primeira faixa (título do disco) foi musicada de poema do imortal mineiro Carlos Drummond de Andrade, que assim se manifestou: Luiz Cláudio quando compõe e quando canta, fala de temas brasileiros que comovem a todos nós. A voz dele é um complemento de sua força criadora. Luiz Cláudio é todo sentimento e todo Brasil. Um Brasil que começa em Curvelo e vai acabar no coração da gente. Outra coisa: não se perde uma palavra, uma sílaba, uma intenção vocabular no seu desempenho. Fiquei feliz com a sua melodia sobre os meus versos. Outros destaques: Felicidade (Lupicínio Rodrigues), Lugar Tão Lindo (coautoria de Marcos de Castro, Antônio Maurício), Toada Brasileira (Ivor Lancellotti, Paulo César Pinheiro).
Nas artes plásticas, Luiz Cláudio fez curso de pintura no Museu de Arte Moderna (MAM/RJ), tendo realizado sua primeira exposição individual em 1977, na Galeria Sérgio Milliet (Funarte/Rio). Em 1982, celebrou sua brilhante trajetória artística, com a edição do álbum duplo Minas Sempre-Viva: Pesquisa Histórica do Folclore Musical Mineiro (EMI-Odeon), encadernado em forma de livro, ilustrado com pinturas, desenhos e aquarelas de Luiz Cláudio, contendo textos sobre a origem das músicas gravadas, poemas e quadras de diversos autores mineiros e outros dados (Léo Christiano Editorial). Entre as músicas, encontram-se: Elvira Escuta (tradicional, adaptação Luiz Cláudio), Sereno da Madrugada (tradicional, adaptação Ubirajara Cabral), Acorda Minha Beleza (Gonçalves Crespo), O Galo Cantou Na Serra (Guimarães Rosa, Luiz Cláudio). Uma raridade e verdadeira obra-prima.
Já aposentado, Luiz Cláudio mudou-se para Guaratinguetá (SP), terra de sua esposa, aonde veio a falecer. Em 2005, o selo Revivendo resgatou parte da obra de Luiz Claúdio, com o CD Este Seu Olhar, ótima coletânea com Folhas Soltas (Portinho, W. Falcão), Na Boca da Noite (Sérgio Bittencourt), Rancho das Flores (Vinicius de Moraes sobre cantata de J. S. Bach), além da faixa título (de Tom Jobim). Considerada uma das mais belas vozes do Brasil, de temperamento tranquilo e cordial, que transmitia em suas músicas e interpretações, Luiz Cláudio é pouco lembrado pela mídia atual.


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