CARLOS JOSÉ (São Paulo, 22 de setembro de 1934)

            Aos cinco anos de idade Carlos José Ramos dos Santos e sua família trocaram a garoa paulistana pelo sol carioca, indo morar no bairro de Santa Teresa. Criado em ambiente musical, em tempos de canções românticas, tornou-se fã de Orlando Silva, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo, e aos 11 anos de idade, aprendeu a tocar violão com a mãe. Em 1937, participou do programa de calouros Papel Carbono do saudoso Renato Murce, e classificou-se em primeiro lugar.
Nos anos 50, ao estudar na antiga Faculdade de Direito do Catete, se apresentou com um conjunto em uma de suas festas, sendo ouvido por Flávio Cavalcanti, que o levou para a TV Tupi, participando do seu célebre programa Um Instante Maestro. Nessa ocasião, conheceu o compositor Alcyr Pires Vermelho, que lhe propiciou a gravação de seu primeiro 78 rpm (Polydor, 1957), com os sambas canção Foi A Noite (Tom Jobim, Newton Mendonça) e Ouça (Maysa), obtendo grande sucesso.

Em consequência, no ano seguinte foi lançado o LP Revelação, um marco em sua carreira, que incluiu além das já citadas, outras pérolas como Se Alguém Telefonar (Alcyr Pires Vermelho, Jair Amorim), Aula de Matemática (Tom Jobim, Marino Pinto), Só Louco (Dorival Caymmi), Laura (João de Barro, Alcyr Pires Vermelho).
Em 1960, o romântico cantor gravou dois LPs Romance de Um Pierrô (selo Odeon), com notáveis sambas e marchinhas de carnaval como: Praça Onze (Herivelto Martins, Grande Otelo), Pastorinhas (João de Barro, Noel Rosa), Confete (Jota Júnior, David Nasser), e Carlos José canta para você (Continental), com destaque: Saudade Querida (Tito Madi), Bronzes E Cristais (Alcyr Pires Vermelho, Nazareno de Brito), Samba Triste (Baden Powell, Billy Blanco). Em 1963, outro disco precioso surgiu com A Poesia de Caymmi Na Voz de Carlos José (selo Continental), entre 12 faixas antológicas encontram-se: Marina, Nunca Mais, A Jangada Voltou Só, A Vizinha do Lado.
A partir de 1966, iniciou uma histórica série de seis volumes publicados com o título Uma Noite de Seresta (selo CBS), para clássicos do gênero como: Deusa da Minha Rua (Newton Teixeira, Jorge Faraj), Última Estrofe (Cândido das Neves) de 1966; Ave-Maria (Erothides de Campos), Três Lágrimas (Ary Barroso) de 1967; Sertaneja (René Bittencourt), Boneca (Benedito Lacerda, Aldo Cabral), de 1968; Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda (Lamartine Babo, Francisco Matoso), Minha Casa (Joubert de Carvalho) de 1969; Se Ela Perguntar (Dilermando Reis, Jair Amorim), Chão De Estrelas (Silvio Caldas, Orestes Barbosa), de 1970; Algum Dia Te Direi (Cristóvão de Alencar, Felisberto Martins), Luar de Paquetá (Freire Junior, Hermes Fontes), de 1971.

Em 1981, realizou turnê por várias cidades do sul e sudeste, através do Projeto Pixinguinha, acompanhado do conjunto Viva Voz (conhecido na época como “os cantores da anistia”) e da cantora potiguar Terezinha de Jesus. Em palcos internacionais, também se apresentou sempre bastante aplaudido em países da América do Sul (como Paraguai, Venezuela e Colômbia), e na Europa (Itália e Portugal). Passou depois a dedicar-se à SOCIMPRO (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais), da qual foi sócio fundador.
No final dos anos 90, foram lançados dois CDs na série 20 Super Sucessos (Polydisc), com originais remasterizados do seu expressivo repertório. Em 2014, Carlos José uniu-se ao talentoso irmão mais novo, violonista e arranjador Luiz Cláudio Ramos, para produção independente do CD Musas das Canções, em homenagem à presença da mulher na música brasileira, como Maria (Ary Barroso, Luiz Peixoto), Odete (Herivelto Martins, Dunga) participação de Chico Buarque, Ai Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves, Mário Lago), Emilia (Haroldo Lobo, Wilson Batista), e outras.
Com sua voz melodiosa, cristalina, de timbre perfeito, Carlos José ocupa lugar relevante entre os melhores cantores de sua geração.


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