AGOSTINHO DOS SANTOS
(São Paulo, 25 de abril de 1932 – Paris, 12 de julho de 1973)

            Criado no tradicional bairro do Bixiga ou atual Bela Vista (reduto de bambas), acompanhava os pais foliões nos cordões e blocos carnavalescos da época. No início dos anos 50, começou a carreira de cantor como crooner da orquestra de Osmar Milani, no badalado Avenida Danças, no centro da cidade. Depois, atuou nas Rádios América e Nacional de São Paulo.
Em 1955, a participação em programas na Rádio Mairynk Veiga, no Rio de Janeiro, propiciou o lançamento do seu primeiro LP Agostinho dos Santos (selo Polydor, 1956), acompanhado da orquestra dirigida por Henrique Simonetti, registrou o samba-canção Não Digo (Sebastião Gilberto, Antônio Bruno) e a marcha-fado Canção do Mar (Ferrer Trindade, Frederico Brito).

Em seguida, ainda pela gravadora Polydor, apresentou: Agostinho dos Santos: uma voz e seus sucessos (1957), onde inclui: Chove Lá Fora (Tito Madi), Maria dos Meus Pecados (Jair Amorim, Dunga) e Antônio Carlos Jobim e Fernando César Na Voz de Agostinho dos Santos (1958), repertório irretocável de dois mestres sendo do primeiro: Foi A Noite (com Newton Mendonça), Por Causa de Você (com Dolores Duran), e do segundo: Dó-Ré-Mi, Graças a Deus.
Contratado pelo selo RGE iniciou uma série de antológicos LPs: Agostinho Espetacular (1958), com destaque para Balada Triste (Dalton Vogeler, Esdras Pereira da Silva), Tu És A Dona de Tudo (Alcyr Pires Vermelho, Nazareno de Brito); Inimitável Agostinho dos Santos (1959), consagrado internacionalmente com a interpretação das inesquecíveis canções Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá, Antônio Maria) e A Felicidade (Tom Jobim, Vinicius de Moraes), do premiadíssimo filme Orfeu do Carnaval (de Marcel Camus), incluiu ainda outras pérolas como: Fim de Caso (Dolores Duran), Não Tem Solução (Dorival Caymmi, Carlos Guinle), Feitio de Oração (Noel Rosa, Vadico); Agostinho Sempre Agostinho (1960), com orquestra de Waldemiro Lemke: Dindi (Tom Jobim, Aloysio de Oliveira), e com conjunto RGE: Chora Tua Tristeza (Oscar Castro Neves, Luvercy Fiorini); Agostinho Canta Sucessos (1961), o título já diz tudo: Por Quem Sonha Ana Maria (Juca Chaves), Negue (Adelino Moreira, Enzo de Almeida Passos), O Amor e A Rosa (Pernambuco, Antônio Maria); A Presença de Agostinho (1961), com arranjos e direção de Waldemiro Lemke em: Canção Para Acordar Você (Tito Madi), e do maestro Erlon Chaves em Nossos Momentos (Luiz Reis, Haroldo Barbosa).

Em 1962, participou do lendário show de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York, sendo bastante aplaudido ao cantar a já citada Manhã de Carnaval, acompanhado por Bonfá ao violão. No mesmo ano, gravou o LP Agostinho dos Santos Canta Boleros Famosos (RGE), em versões para Frenesi (Lina Pesce), Aqueles Olhos Verdes (Braguinha), com arranjos e regência de Erlon Chaves. Em 1963, repetiu a dose: Agostinho dos Santos (em espanhol) - mais boleros famosos (selo RGE), com arranjos e regência de Élcio Alvarez, incluiu Solamente Una Vez (Agustin Lara), Amor de Mis Amores (Maria Teresa Lara).

Em 1964, com o título Vanguarda (RGE), Agostinho navega com talento e competência em águas da bossa nova, com arranjos primorosos de Erlon Chaves e Meireles, em faixas como: Moça Flor, (Luiz Fernando Freire com Durval Ferreira), Vagamente, Telefone, (essas de Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli). Em 1966, gravou pelo selo Elenco o álbum Agostinho dos Santos, interpretando Arrastão (Edu Lobo, Vinicius de Moraes), Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle), Das Rosas (Dorival Caymmi).
Conhecido internacionalmente, Agostinho dos Santos, se apresentou em vários países da América do Sul, Europa e Estados Unidos. Vítima de acidente aéreo, causado por incêndio a bordo, nas imediações do aeroporto de Orly, em Paris, teve sua trajetória artística prematuramente interrompida.
Voz aveludada, afinada, apaixonante, inconfundível, puro encantamento, Agostinho dos Santos cantava com o coração. Por tudo isso, tornou-se eterno.


© Copyright 2008 - Pelo Telefone: Uma viagem através da música popular brasileira.

Desenvolvimento e Design: Marcio Cunha