GILSON PERANZZETTA (Rio de Janeiro, 21 de abril de abril, de 1946)

            Em dia de feriado nacional, nascido no bairro de Brás de Pina, Gilson José de Azeredo Peranzzetta também já faz história na nossa música popular. Ainda adolescente, começou a estudar acordeom, piano, ao frequentar o Conservatório Brasileiro de Música e a Escola de Música da UFRJ.

Em 1966, estreou no mercado fonográfico, com o trio Tema Três (Gilberto Alban: bateria e Luiz Roberto: contrabaixo) em LP homônimo (selo Atonal) no qual incluiu de sua autoria Ângela e Tema Três, além de Razão de Viver (Eumir Deodato, Paulo Sérgio Valle), Cidade Vazia (Baden Powell, Luis Fernando Freire), entre outras. Em 1971, mudou-se para Barcelona onde, por três anos, estudou técnica pianística com Petri Palau de Claramunt, além de aulas de orquestração com o compositor catalão Federico Mompou. De volta ao Brasil, atuou como instrumentista, arranjador, orquestrador, em discos de Elizeth Cardoso, Fátima Guedes, Gonzaguinha, Ivan Lins, Joanna, Nana Caymmi, entre outros.

Nos anos 80, surgiram: LP Portal dos Magos (Polygram, 1985) inclui Setembro (com Ivan Lins), Chorinho da Vovó (com Gilberto Alban); LP Paisagem Brasileira (Imagem, 1986) apresenta a faixa título, Como Vinho; LP Seiva (L’Art Produções, 1987) com arranjos de Gilson Peranzzetta, e inclusão de autorais Entardecendo, Todo Veneno, entre outras; CD Joyce & Gilson Peranzzetta: Jobim, os anos 60 (EMI, 1987) simplesmente imperdível Corcovado, A Felicidade (essa com Vinicius de Moraes); LP/CD Cartola 80 Anos: Leny Andrade e Gilson Peranzzetta (SBK, Velas, 1988/1992) para se ouvir sempre O Mundo é um Moinho, Acontece; LP Cantos da Vida (K-Tel, 1988) formidável Variações sobre um tema de Nazareth (Ernesto Nazareth), No Tabuleiro da Baiana (Ary Barroso), Branca (Zequinha de Abreu), Dois na Rede (autoral); LP Lado a Lado: Sebastião Tapajós Gilson Peranzzetta  (Visom, 1988) violão e piano em perfeita harmonia Prelúdio do Entardecer (Sebastião Tapajós), Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo, Miguel Lima); LP Claudio Santoro: prelúdios e canções de amor, com Gilson Peranzzetta, piano (Independente, 1989), não comercializado, raridade Prelúdio Nº 6 (Claudio Santoro), Luar do Meu Bem (coautoria de Vinicius de Moraes), participação Boca livre e Quarteto em Cy.

Na década de 90, Peranzzetta deu início à uma profícua parceria com o músico Mauro Senise (sax e flauta) pela gravadora Visom, nos álbuns Uma parte de nós (1990) apresentando Carinhoso (Pixinguinha, João de Barro), a faixa título (autoral) e Vera Cruz (1993) vale citar Choro do Lobo (coautoria de Aldir Blanc), com sua assinatura Rambla del Carmelo. Em 1993 o CD Gilson Peranzzetta (Imagem, 1993) coletânea reuniu os já citados LPs de 1985 e 1986. Em 1994, outra coletânea na praça com o CD Sorrir (selo Albatroz), acrescida de Acalanto (Dorival Caymmi) e Sorrir (coautor Nelson Wellington). Em 1997, no álbum Alegria de Viver (Lumiar Discos) o pianista Gilson Peranzzetta retorna a uma das formações clássicas com Adriano Giffoni (baixo) e João Cortez (bateria) para harmonia, melodia e pitadas de jazz em Começar de Novo (Ivan Lins, Vitor Martins), Minha Saudade (João Donato, João Gilberto), Influência do Jazz (Carlos Lyra), Fim de Noite (Chico Feitosa, Ronaldo Bôscoli). Em 1999, participou do CD Encontro de Solistas (selo Movie Play), ao lado de Altamiro Carrilho (flauta), Mauricio Einhorn (harmônica de boca) e Sebastião Tapajós (violão), atuando também na direção musical e arranjos, De sua autoria constaram: o choro Jaguari e o samba Guaraú.

Ao criar seu próprio selo Marari Discos, o incansável músico gravou uma série de CDs, a maioria instrumental: Rua Marari (2000) trilha sonora do documentário Everest: uma conquista brasileira (de Valdemir Niclevski) composições e arranjos autorais, incluindo a suíte Miragem, para piano e orquestra; Canção da Lua (2001) convidado especial o violoncelista inglês David Chew; Metamorfose (2001) solos de piano, misturando o popular e clássicos da música erudita, como a autoral que batiza o disco; Pingolé (2001), em 11 faixas por ele assinadas, recebe Carlinhos Sete Cordas, Joel do Nascimento (bandolim), Rildo Hora (gaita), entre outros craques; Cristal (2002) destaque especial para Love Dance (parceria com Ivan Lins e Paul Williams), e presença de Mauro Senise (sax), Robertinho Silva (bateria) e Paulo Russo (contrabaixo); Frente a Frente: Gilson Peranzzetta e Mauro Senise (2003) retorno da já citada dupla, com várias homenagens Diz Carrilho!!!, Bilhete pro Guinga, O Império Contra Ataca “Para GRES Império Serrano”, e muito mais; Manhã de Carnaval: Gilson Peranzzetta Trio (2005) excepcional em Pra Machucar Meu Coração (Ary Barroso), Alguém Como Tu (José Maria de Abreu, Jair Amorim), Rapaz de Bem (Johnny Alf), Bala com Bala (João Bosco, Aldir Blanc), completando o trio João Cortez (bateria) e Paulo Russo (contrabaixo); Extra de Vários: Trio Peranzzetta, Senise, Chew (2006); Valsas e Canções (2006) álbum duplo: Valsa Pra Lili, Valsa Francesa, Quando Te Encontrei, Maior que o Mar, exemplos do inspirado compositor. Em 2007, outra notável apresentação de Gilson Peranzzetta, em piano solo, com o CD Bandeira do Divino (Delira Música) direção musical e arranjos em magníficas faixas como Lamento do Morro (Garoto), Domingo no Parque (Gilberto Gil), Asa Branca (Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira), Obsession (coautoria de Dori Caymmi, T. Gilette). Em 2009, foi lançado o álbum Buxixo: Gilson Peranzzetta & Nelson Faria (Delira Música) piano e violão acompanham o duo, também responsável pelos arranjos, em 12 faixas geniais, como Rua Bouganville e Caindo no Choro, por eles assinadas. Novamente a dupla Peranzzetta (piano, arranjos) e Senise (sax, flauta) nos brindou com o exemplar Noel Rosa 100 Anos (Biscoito Fino, 2011), com participação da cantora Alaíde Costa em Cor de Cinza, Último Desejo, Quando o Samba Acabou e Feitio de Oração (com Vadico). Ao celebrarem 25 anos de parceria, repetem a dose com o lançamento do álbum Dois na Rede (selo Fina Flor) entre outras pérolas Braz de Pina, Meu Amor, Forrozim “Um chorinho pro Zé Américo”, e do repertório alheio Aqui Ó (Toninho Horta, Fernando Brant), História de Lily Braun (Edu Lobo, Chico Buarque). Em 2014, venceu o 25º Prêmio da Música Brasileira, na categoria “Arranjador” para o CD Edu Lobo & Metropole Orkest (gravado ao vivo em Amsterdam) e também premiado como “Melhor Álbum MPB”(Biscoito Fino, 2013), no qual ainda atua como instrumentista (piano e acordeom). Com o sugestivo título Gilson Peranzzetta: como vinho 70 anos (Fina Flor, 2016) produziu novo trabalho, gravado na Sala Cecília Meirelles, emocionante festa que contou com a presença dos cantores João Senise, Leny Andrade, Valéria Lobão, do Quarteto Radamés Gnattali e do saxofonista Mauro Senise. Obras primas em desfile: Prelúdio das Bachianas Brasileiras nº 4 (Heitor Villa-Lobos), Cantos da Vida (autoral), Choro Sim. Porque Não? (com Chiquinho do Acordeom), e muito mais. No ano seguinte, participou do encontro inédito e histórico ao lado da cantora Wanda Sá e Mauro Senise, focalizando A Música de Tom e Vinicius (selo Biscoito Fino), em clássicos como: Eu Não Existo Sem Você, Janelas Abertas, É Preciso Dizer Adeus, além da instrumental Por Toda Minha Vida, com participações de João Cortez (bateria), Nelson Faria (guitarra) e Zeca Assumpção (baixo). Poesia, melodia, harmonia e todos os ingredientes para se dizer: com certeza, um discaço! Finalmente, o incansável músico produziu o CD Gilson Peranzzetta: tributo a Oscar Peterson (Fina Flor, 2018), ao vivo no CCBB/RJ: versão brasileira para o jazz pianístico americano, em peças admiráveis como Somewhere (L. Bernstein, Sondheim), Com Alma (Dizzie Gillespie), Just One of Those Things (Cole Porter), acrescidas pela presença de Paulo Russo (contrabaixo) e João Cortez (bateria).

Exímio pianista, Gilson Peranzzetta em suas aptidões instrumentais incluem-se o acordeom e a clarineta. Compositor inspirado, arranjador criativo e maestro, com prêmios diversificados, quebra as fronteiras entre o popular, o clássico e o jazz. Suas improvisações combinam criatividade e riqueza melódica, que o tornam um intérprete diferenciado, requintado e popular. Admirado e respeitado, em sólida carreira internacional, com apresentações nos Estados Unidos, Europa e Japão.
Em 2012, o afamado maestro americano Quincy Jones, entrevistado por José Mauricio Machiline (criador do Prêmio da Música Brasileira), ao citar Duke Ellington, Gil Evans, entre os maiores arranjadores em todo o mundo, acrescentou “Eu gosto muito do Gilson Peranzzetta. Ele é ótimo”. Como intérpretes estrangeiros de sua obra, encontram-se: Barbra Streisand, Hans Limburg, Jane Monheit, George Benson, Marica Hiraga, Maria Mendes, Mark Murphy, Molly Greacen, Peter Scharli, Randy Brecher, Sarah Vaughan, Toots Thielmans, Vanessa Williams, Yasuko Agawa, Yoischi Murata.

   

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